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O primeiro ponto que falta provar é a data exata. A cronologia clássica, montada pela cerâmica e pela lista dos faraós do Egito, punha a erupção por volta de 1500 a.C.
Em 2006, o geólogo Walter Friedrich, da Universidade de Aarhus, publicou na revista Science a datação por radiocarbono (a medida do carbono que resta em matéria que já foi viva) de um galho de oliveira enterrado ainda verde pela pedra-pomes em Santorini. O resultado caiu entre 1627 e 1600 a.C.
Em 2018, a equipe de Charlotte Pearson, da Universidade do Arizona, refez a calibração com anéis de árvores contados ano a ano e publicou na Science Advances uma faixa mais larga, que entra no século 16 a.C. A distância entre as datas ainda não fechou.
Um galho de oliveira e uma lista de faraós discordam em até um século. |
O intervalo e o íbex
O segundo ponto é o intervalo. Ninguém sabe se entre o tremor e a erupção passaram semanas, meses ou anos, porque a camada de solo acima dos escombros é fina e não guarda plantas que marquem as estações.
O terceiro é o próprio íbex. Os chifres de cabra ao redor do baú levaram Doumas a ler a peça como objeto de culto, guardado num santuário e deixado de propósito. Nenhuma inscrição confirma, porque o Linear A (a escrita minoica) nunca foi decifrado.
O que separaria as hipóteses
Duas descobertas resolveriam o caso:
• Um assentamento em Creta ou nas Cíclades (as ilhas dispostas em círculo em volta de Delos) com casas novas, erguidas logo após a erupção, no estilo de Akrotiri.
• Restos humanos sob a pedra-pomes em outro ponto de Thera, fora da área escavada, que mostrassem quem ficou para trás.
A escavação cobre uma parte pequena da cidade, e o restante segue sob a cinza. Sem as duas provas, o destino dos moradores é desconhecido, e quem afirma uma rota faz por dedução.
O que se sabe com segurança é firme. Akrotiri era um porto rico ligado a Creta, sofreu um terremoto antes da erupção, teve as ruas varridas e os muros escorados e ficou vazia de gente e de ouro antes da pedra-pomes cair. O íbex no baú é a única peça de ouro que a cidade deixou.
O resto continua sem prova. Ninguém sabe se os barcos chegaram a algum porto.
Uma evacuação que funcionou, com famílias desembarcando em Creta e levando o ouro consigo, como sugerem as casas vazias e as ruas limpas, ou uma fuga que terminou no mar, como sugere o rapaz soterrado pelo tsunami em Çeşme. As duas leituras usam as pistas acima, e a escolha depende do peso que você dá a uma cidade sem corpos ou a um corpo sem cidade.
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