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O SÍTIO
A mesquita de al-Hakim, terminada em 1013 junto à muralha norte do Cairo fatímida e restaurada em 1980.
Foto: Mohamed abdelzaher, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
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Al-Hakim bi-Amr Allah nasceu no Cairo em 985, filho do califa al-Aziz. Herdou o trono criança, sob a tutela do eunuco Barjawan, e em 1000, aos 15 anos, mandou executar o tutor e passou a governar sozinho.
Um reinado de decretos
Os decretos dele ficaram famosos pela estranheza. Proibiu a mulukhiyya (o ensopado de folhas verdes mais comum do Egito), mandou os comércios abrirem à noite e, por anos, proibiu as mulheres de sair de casa, segundo as crônicas reunidas por al-Maqrizi.
Em 1005 abriu no Cairo a Dar al-Ilm (Casa do Saber, em árabe), biblioteca e escola pública com livros de lei, medicina e astronomia. Em 1013 terminou a grande mesquita que o pai começara junto à muralha norte, ainda de pé e conhecida hoje pelo nome dele.
Em 1009 ordenou a demolição da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, que estava sob o domínio fatímido. O cronista cristão Yahya de Antioquia, que viveu na mesma época, descreveu a destruição e as perseguições a cristãos e judeus que vieram com ela.
O homem do burro
Nos últimos anos, al-Hakim trocou o luxo da corte pela lã simples, deixou o cabelo crescer e passou a andar pela cidade montado num burro, falando com quem o parasse na rua.
Gastava as noites em conversa com astrônomos e mandou erguer um posto de observação no alto de Muqattam, segundo as crônicas, embora nenhum vestígio dele tenha sido identificado.
Em 1017, um pregador persa chamado Hamza ibn Ali começou a ensinar no Cairo que o califa era a manifestação de Deus na Terra. Desse ensino nasceu a fé drusa, e a pregação provocou tumultos na cidade.
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O califa saiu à noite para as colinas centenas de vezes, e só uma vez ninguém o viu descer.
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Cinco dias de busca
A data guardada pelas crônicas é a noite de 13 de fevereiro de 1021, o dia 27 do mês de shawwal (o décimo mês do calendário islâmico) do ano 411 da Hégira.
Segundo al-Maqrizi, a corte esperou alguns dias pela volta. Depois, uma comitiva subiu às colinas e achou o burro cinzento do califa, chamado Qamar (lua, em árabe), com as patas da frente cortadas a golpe de espada.
Seguindo pegadas a partir do animal, a comitiva chegou a um açude a leste de Hulwan, ao sul do Cairo. Na água estavam as sete túnicas de al-Hakim, abotoadas, com os rasgos de faca descritos na crônica.
As pegadas, ainda segundo o mesmo relato, eram de um homem a pé e de dois outros que o seguiam. O rastro parava no açude, e ali a busca também parou.
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