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A explicação de trabalho de Sebastián Celestino Pérez e Esther Rodríguez González, do CSIC, para o fim de Casas del Turuñuelo é uma crise: no fim do século V a.C., as comunidades do Guadiana teriam sofrido pressão de povos vindos da Meseta (o planalto central da Península), e os tartéssicos teriam preferido apagar o lugar sagrado a vê-lo tomado.
Três hipóteses na mesa
1. A ameaça. Um grupo prestes a deixar a região sela o prédio para impedir a profanação, e o sacrifício vira o último rito antes da partida.
2. O fim de um ciclo. A morte de um chefe ou a queda de uma linhagem encerra o edifício como se encerra um túmulo, e os cavalos acompanham o dono.
3. A catástrofe. Fome, epidemia ou derrota pedem uma oferenda de valor máximo, e o prédio inteiro vira altar.
As três leituras explicam o fogo e a terra. Nenhuma explica sozinha a escolha do cavalo, o animal mais caro do rebanho,, e não o boi ou a ovelha.
Nenhuma das três tem a palavra final. O sítio não deixou inscrição legível, e a escrita do sudoeste peninsular, gravada em estelas da região, segue só em parte decifrada.
O que os ossos ainda podem dizer
Análises de DNA e de isótopos (variantes químicas dos elementos, que guardam a marca da água e do pasto de onde o animal bebeu e comeu) podem dizer se os cavalos nasceram na região ou vieram de longe, e se eram parentes entre si.
Os resultados publicados em 2026 indicam que a maioria dos cavalos não nasceu no local e veio de pontos do oeste do vale do Guadiana.
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Se os cavalos vieram de longe, o sacrifício foi também demonstração de alcance; se nasceram ali, foi o rebanho inteiro da comunidade.
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A datação também tem folga. O radiocarbono e os vasos gregos colocam o encerramento no século V a.C., e o estudo dos ossos divide o sacrifício em três fases ao longo de vários anos.
E o prédio ainda não foi aberto inteiro. A escavação segue em campanhas anuais, e parte do andar de cima e do entorno continua sob a terra.
O que está firme: um edifício tartéssico de dois andares, queimado e soterrado de propósito no século V a.C., com um pátio de animais sacrificados, a maioria cavalos dispostos em pares.
Os tartéssicos de Casas del Turuñuelo enterraram o prédio para salvá-lo de um inimigo que chegava, como propõe a equipe do CSIC; ou o enterraram porque aquele mundo tinha acabado por dentro, com a queda de um chefe ou de uma linhagem, e os cavalos foram junto. Os ossos e as camadas estão acima, e a escolha fica com você.
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