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Em 2003, uma escavadeira abria terreno para um viveiro de camarão numa propriedade particular em Teouma. A máquina revirou cacos de cerâmica decorada, e o dono da terra levou os pedaços ao Centro Cultural de Vanuatu, em Port Vila.
Os cacos tinham o carimbo de pente dos vasos lapita. O Centro Cultural, então dirigido por Ralph Regenvanu, chamou os arqueólogos Stuart Bedford e Matthew Spriggs, da Universidade Nacional Australiana, que já estudavam a pré-história do arquipélago.
As escavações começaram em 2004 e voltaram a cada temporada durante quase uma década. O primeiro relato saiu em 2006, na revista Antiquity, assinado por Bedford, Spriggs e Regenvanu, e já descrevia sepulturas com corpos sem a cabeça.
A idade veio do carbono 14 (método que mede quanto carbono radioativo um material orgânico perdeu com o tempo). A arqueóloga Fiona Petchey, da Universidade de Waikato, publicou em 2014 no Journal of Archaeological Science datas que situam o uso do cemitério há cerca de três mil anos, poucas gerações depois da chegada dos primeiros barcos.
Como eram as covas
A antropóloga francesa Frédérique Valentin, do CNRS, estudou os esqueletos um por um. Ela e a equipe mostraram que os mortos eram enterrados de costas, em covas rasas cavadas na rocha de coral, e que a cabeça era retirada depois.
O detalhe pesa. Os ossos do pescoço continuam no lugar em vários esqueletos, e não há marcas de corte nas vértebras. A cova era reaberta quando o corpo já tinha se decomposto, e alguém levantava o crânio com cuidado.
Em alguns casos, os ossos longos também saíram e voltaram arrumados de outro jeito. O cemitério recebeu visitas durante anos, e cada sepultura parece ter passado por mais de uma etapa.
O adulto dos três crânios
A sepultura mais citada do sítio, descrita por Bedford, Spriggs e Regenvanu no artigo de 2006, guarda um adulto sem cabeça. Sobre o peito dele há três crânios em fila, de outras pessoas, voltados para a mesma direção.
Outra cova trazia um crânio guardado dentro de um vaso lapita, com um prato de cerâmica tampando a boca do recipiente. Um dos vasos achados no sítio tem aves modeladas na borda, viradas para dentro, como se olhassem o conteúdo.
O corpo ficava na terra. A cabeça seguia outro caminho. |
O registro mostra um cemitério de colonos, corpos reabertos depois de decompostos e crânios que mudavam de lugar. Ele não diz para onde foram as cabeças que faltam, nem de quem eram as que ficaram sobre os peitos.
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