In partnership with

Mistérios Milenares   Mistérios Milenares
ED 143
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O templo de barro de 18 metros sem sala dentro

Em Kerma, no Sudão, a Deffufa Ocidental guarda uma escada e quase nenhum espaço fechado; forte, templo ou marco, ninguém confirmou

Bloco de tijolo cru da Deffufa Ocidental, em Kerma, no Sudão

A Deffufa Ocidental de Kerma, no norte do Sudão

▼

FICHA DO ARQUIVO

Relato: Kerma, Sudão, c. 2000 a.C.

Registro: escavação desde 1913.

Anomalia: escada e quase nada fechado.

Em 1923, o relatório Excavations at Kerma, de George Reisner, da Universidade Harvard, classificou a Deffufa Ocidental como um forte egípcio. Em 1990, o livro Kerma, royaume de Nubie (Kerma, reino da Núbia), de Charles Bonnet, da Universidade de Genebra, classificou o mesmo prédio como templo núbio.

Os dois arqueólogos cavaram o mesmo maciço de tijolo cru (barro moldado e seco ao sol, sem forno), na cidade de Kerma, junto à terceira catarata do Nilo (um trecho de corredeiras e rochas que corta o rio), no norte do Sudão. Chegaram a funções opostas olhando as mesmas paredes.

O prédio ainda sobe cerca de 18 metros acima da planície, segundo o levantamento publicado por Bonnet em 1990. Foi erguido há quase quatro mil anos por um povo que os egípcios chamavam de Kush e que não deixou escrita própria.

Deffufa é a palavra núbia para essas grandes construções de tijolo de barro, e ela descreve a matéria sem dizer a função.

Por dentro, quase tudo é maciço. Uma escada estreita sobe pelo corpo do prédio até o topo, onde ficava um terraço. Há uma passagem e uma câmara pequena, e o resto é barro compactado, camada sobre camada.

Um forte precisa de quartos para soldados e de depósitos. Um templo precisa de um santuário onde caiba a estátua do deus. A Deffufa Ocidental oferece uma escada para o alto e quase nada fechado onde alguém pudesse ficar.

Ao redor dela, a escavação achou oficinas de bronze, fornos de pão, depósitos de oferendas e muros refeitos várias vezes ao longo de séculos. O prédio não ficou parado: cresceu, foi remendado e mudou de planta.

A cidade inteira caiu por volta de 1500 a.C., quando o faraó Tutmés I levou o exército egípcio até a Núbia. A Deffufa ficou de pé, e a função dela ficou sem testemunha.

O caso começa pelo que Reisner mediu e anotou nas três temporadas em que cavou Kerma, entre 1913 e 1916.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

The AI notetaker that gets the hard words right

Your AI is only as good as what you feed it. Feed it a transcript with your product names, acronyms, and numbers spelled wrong, and you spend the afternoon hand-fixing the output.

Wispr Flow Notetaker uses your dictionary and calendar, so product names, acronyms, numbers, and uncommon names come out spelled right. It pops up when your meeting starts and captures Zoom, Google Meet, Teams, and Slack huddles with one click, no bot joining the call.

Then your meetings show up inside Claude or ChatGPT through the built-in connector. No copy paste. Try Notetaker free on Mac and Windows.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Registro

A escada que leva ao telhado

O SÍTIO

O bloco de tijolo cru da Deffufa Ocidental, em Kerma, no norte do Sudão, com a fachada gasta pelo vento do deserto.

O bloco de tijolo cru da Deffufa Ocidental, em Kerma, no norte do Sudão, com a fachada gasta pelo vento do deserto.

Foto: walter callens, Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A Deffufa Ocidental fica no centro da antiga cidade de Kerma, capital do primeiro reino de Kush, que dominou o vale do Nilo ao sul do Egito entre cerca de 2500 e 1500 a.C. A expedição conjunta da Universidade Harvard e do Museu de Belas Artes de Boston, chefiada por George Andrew Reisner, abriu o sítio em 1913.

O forte do governador

Reisner já tinha escavado no Egito e leu Kerma com olhos egípcios. Achou na cidade estátuas de um governador egípcio chamado Hepdjefa e concluiu que a Deffufa era o posto fortificado desse funcionário, um entreposto para controlar o comércio de ouro, marfim e ébano vindo do sul.

A tese aparece nos volumes de Excavations at Kerma, publicados em 1923 pela série Harvard African Studies. Nela, a cidade núbia seria uma colônia, e o prédio grande, a casa do administrador estrangeiro.

Reisner procurou quartos de quartel e achou uma escada.

O que a planta mostra

A planta registrada pela expedição mostra um bloco retangular de tijolo cru, com paredes grossas e poucos vazios. Uma escada estreita sobe por dentro até a cobertura plana. No térreo, uma passagem leva a uma câmara pequena, e o restante do volume é enchimento.

O tijolo cru dura no clima seco do Sudão, mas se desfaz com chuva. Para durar, o prédio recebeu reforços: paredes novas encostadas nas velhas, rampas, plataformas e camadas de reboco.

Em vários pontos, os escavadores viram tijolos de fases diferentes encostados uns nos outros. O maciço que se vê hoje é a soma de reformas, e cada reforma engrossou o bloco sem abrir espaço interno novo.

A cidade em volta

A Deffufa não estava sozinha. Cerca de quatro quilômetros a leste, Reisner escavou um cemitério com milhares de sepulturas e túmulos reais cobertos por montes de terra, e junto deles uma segunda construção maciça, que ficou conhecida como Deffufa Oriental.

A Deffufa Oriental tinha paredes pintadas com girafas, hipopótamos e barcos, e servia de capela ligada aos sepultamentos. A Ocidental, no meio das casas, não guardou pintura nem tinha túmulo encostado.

O registro de Reisner termina assim: um bloco de barro alto no centro da cidade, com uma escada, uma câmara e nenhum cômodo de morar, chamado de forte por quem o escavou.

 

Quem banca a edição de hoje

Solana’s Price Crashed. Its Network Didn’t.

Wallets are returning, stablecoin supply is rising and institutional money is still flowing in. Our free guide explains why we’re accumulating SOL now, plus the key metrics and risks to watch.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

II  A Pergunta em Aberto

Templo, forte ou marco de pedra crua

Um prédio de 18 metros quase todo cheio por dentro deixa uma pergunta fácil de formular e difícil de responder: para que ele servia. A resposta mudou quando a escavação voltou a Kerma, seis décadas após Reisner.

A missão suíça

Em 1977, Charles Bonnet abriu os trabalhos da missão da Universidade de Genebra em Kerma e ficou no sítio por três décadas.

Ele derrubou a tese do governador. As estátuas de Hepdjefa estavam nos túmulos dos reis núbios, levadas como troféu ou presente, e não provavam colônia egípcia. A cerâmica, as casas e os túmulos de Kerma eram núbios do início ao fim.

Bonnet escavou em volta da Deffufa um bairro inteiro de uso religioso: capelas menores, oficinas onde se fundia bronze e se fazia faiança (cerâmica vitrificada azul), padarias e depósitos. Para ele, o prédio era o templo principal da cidade, e o bairro trabalhava para ele.

Tudo em volta da Deffufa servia a um culto, menos o interior dela, que não tem onde pôr um deus.

Onde ficava o rito

O problema da leitura de templo é o espaço. Nos templos egípcios da mesma época, o rito acontece dentro: há pátio, salão de colunas e um santuário escuro com a estátua. Na Deffufa Ocidental, a câmara do térreo é pequena demais para cerimônia com público.

Daí a hipótese que Bonnet defendeu para o alto do prédio: o rito subia. A escada levaria sacerdotes ao terraço, e o que acontecia lá, oferenda, fogo ou observação do céu, seria visto de longe por quem ficava embaixo.

O terraço desabou e foi raspado pelo vento, e o topo atual não guarda chão original, altar nem marca de fogo que confirme a cena.

Três leituras na mesa

1. Forte e entreposto. A leitura de Reisner explica a altura como torre de vigia, mas não explica a falta de alojamento nem o bairro de capelas em volta.

2. Templo de terraço. A leitura de Bonnet explica as oficinas e as oferendas, mas depende de um rito no topo que não deixou rastro.

3. Marco de poder. O bloco seria um sinal do rei de Kush, feito para ser visto do rio e do deserto, com a escada servindo só a reparos e a cerimônias raras.

As três cabem nas paredes, e nenhuma cabe em tudo que a escavação achou.

 
 

III  O Que Falta Provar

O terraço que o vento raspou

O primeiro ponto que falta provar é o uso do topo. Sem o piso do terraço, não há como saber se ali houve altar, santuário de madeira ou só uma cobertura plana.

O segundo é a data de cada fase. Bonnet descreveu reformas desde o período que os arqueólogos chamam de Kerma Antigo, por volta de 2500 a.C., até o Kerma Clássico, que acaba com a chegada de Tutmés I. Cada reforma pode ter mudado a função, e o prédio de 1500 a.C. não precisava servir ao culto ou à guarda de mil anos antes.

Mil anos de reformas podem ter dado ao bloco três funções diferentes.

A escrita que Kerma não deixou

O terceiro ponto é a falta de texto. Os reis de Kush não deixaram inscrição própria, e o pouco escrito sobre eles vem de inimigos egípcios. Nenhuma estela (laje de pedra com texto gravado) diz a quem a Deffufa era dedicada.

Os egípcios que ocuparam a Núbia após 1500 a.C. ergueram templos perto dali, em Dukki Gel, a um quilômetro ao norte. Em 2003, a missão de Bonnet achou ali sete estátuas de faraós núbios da 25ª dinastia enterradas num fosso, prova de que o lugar seguiu sagrado por séculos, mas sem explicar a Deffufa.

O que decidiria o caso

Duas provas fechariam a questão:

• Um depósito de fundação (a caixa de oferendas que os construtores enterravam sob o canto do prédio) intacto, com objetos que digam a qual deus ou rei a obra foi dedicada.

• Restos de altar, cinza ou ossos de animais numa camada selada no alto do maciço, ligados por datação a uma fase precisa do prédio.

Nenhuma das duas apareceu até hoje. A missão suíça, hoje chefiada por Matthieu Honegger, da Universidade de Neuchâtel, segue escavando a região, mas o interior do bloco nunca foi desmontado, e desmontá-lo destruiria o monumento que se quer entender.

O que se sabe é firme: um bloco de tijolo cru de 18 metros, reformado durante séculos, no centro de uma capital núbia sem escrita, cercado de capelas e oficinas, com uma escada até o topo e quase nenhum espaço fechado.

Um templo que levava o rito ao terraço, como sugerem o bairro de capelas e as oficinas de oferenda, ou um marco de poder feito para ser visto e não habitado, como sugerem as paredes cheias e a escada estreita. As duas leituras usam as pistas acima, e a escolha depende do peso que você dá ao que cerca a Deffufa ou ao que falta dentro dela.

 
 
 
Quiz da edição

Por volta de 1500 a.C., qual faraó levou o exército egípcio até a Núbia e derrubou a cidade de Kerma?

AHepdjefa
BTutmés I
CGeorge Reisner
DCharles Bonnet

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗝️🗝️🗝️🗝️🗝️  ótima 🗝️🗝️🗝️🗝️  boa 🗝️🗝️🗝️  ok 🗝️🗝️  ruim 🗝️  péssima
 
Recomendação de Newsletter
Geografia do Dia

Geografia do Dia

Uma cidade, um país ou um lugar por dia, com o mapa e a razão de ele ser daquele jeito, em dois minutos. No seu email todo dia às 20:20.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 

Amanhã, abrimos outro. Mysterium manet.

MISTÉRIOS MILENARES

Cada noite, um mistério. Com a profundidade que você quer

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo