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O primeiro ponto que falta provar é o uso do topo. Sem o piso do terraço, não há como saber se ali houve altar, santuário de madeira ou só uma cobertura plana.
O segundo é a data de cada fase. Bonnet descreveu reformas desde o período que os arqueólogos chamam de Kerma Antigo, por volta de 2500 a.C., até o Kerma Clássico, que acaba com a chegada de Tutmés I. Cada reforma pode ter mudado a função, e o prédio de 1500 a.C. não precisava servir ao culto ou à guarda de mil anos antes.
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Mil anos de reformas podem ter dado ao bloco três funções diferentes.
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A escrita que Kerma não deixou
O terceiro ponto é a falta de texto. Os reis de Kush não deixaram inscrição própria, e o pouco escrito sobre eles vem de inimigos egípcios. Nenhuma estela (laje de pedra com texto gravado) diz a quem a Deffufa era dedicada.
Os egípcios que ocuparam a Núbia após 1500 a.C. ergueram templos perto dali, em Dukki Gel, a um quilômetro ao norte. Em 2003, a missão de Bonnet achou ali sete estátuas de faraós núbios da 25ª dinastia enterradas num fosso, prova de que o lugar seguiu sagrado por séculos, mas sem explicar a Deffufa.
O que decidiria o caso
Duas provas fechariam a questão:
• Um depósito de fundação (a caixa de oferendas que os construtores enterravam sob o canto do prédio) intacto, com objetos que digam a qual deus ou rei a obra foi dedicada.
• Restos de altar, cinza ou ossos de animais numa camada selada no alto do maciço, ligados por datação a uma fase precisa do prédio.
Nenhuma das duas apareceu até hoje. A missão suíça, hoje chefiada por Matthieu Honegger, da Universidade de Neuchâtel, segue escavando a região, mas o interior do bloco nunca foi desmontado, e desmontá-lo destruiria o monumento que se quer entender.
O que se sabe é firme: um bloco de tijolo cru de 18 metros, reformado durante séculos, no centro de uma capital núbia sem escrita, cercado de capelas e oficinas, com uma escada até o topo e quase nenhum espaço fechado.
Um templo que levava o rito ao terraço, como sugerem o bairro de capelas e as oficinas de oferenda, ou um marco de poder feito para ser visto e não habitado, como sugerem as paredes cheias e a escada estreita. As duas leituras usam as pistas acima, e a escolha depende do peso que você dá ao que cerca a Deffufa ou ao que falta dentro dela.
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