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As ilhas Flannan são um punhado de rochas a trinta quilômetros a oeste de Lewis. Eilean Mòr, a maior delas, tem nove hectares de capim e paredes que sobem direto do Atlântico.
O farol entrou em operação em dezembro de 1899, projeto de David Alan Stevenson para o Northern Lighthouse Board. Dois desembarcadouros ligam a rocha ao mar, um a leste e outro a oeste.
Em dezembro de 1900 a guarnição tinha três homens: James Ducat, faroleiro-chefe veterano, Thomas Marshall, segundo assistente, e Donald MacArthur, faroleiro ocasional chamado para cobrir um titular afastado por doença.
Na noite de 15 de dezembro, o vapor Archtor passou ao largo a caminho de Leith e não avistou a luz. A falha foi anotada a bordo, o navio chegou ao porto em 18 de dezembro, e o aviso não subiu a cadeia com a pressa devida.
A rendição estava marcada para 20 de dezembro. O vapor Hesperus, com o faroleiro Joseph Moore a bordo, ficou preso pelo mau tempo e só encostou na rocha na manhã de 26 de dezembro.
O que faltava na chegada já dizia alguma coisa. Nenhuma bandeira içada, nenhuma caixa de provisão vazia, ninguém na plataforma esperando o navio. O capitão James Harvie apitou e mandou soltar um foguete. Não houve resposta.
Moore subiu sozinho os degraus talhados na rocha. Encontrou o portão do pátio fechado, a porta principal fechada e as internas também. Chamou pelos três e ninguém apareceu.
Dentro, a cozinha estava arrumada e os utensílios lavados e guardados. As camas estavam desfeitas. O relógio da estação tinha parado.
As lamparinas estavam limpas, com o pavio aparado e o reservatório cheio, no estado em que ficavam depois da manutenção da manhã. A lareira estava fria e as cinzas tinham sido retiradas da grelha.
O livro oficial estava passado a limpo até 13 de dezembro. A lousa trazia a anotação da manhã de sábado, 15 de dezembro, feita às nove horas. Depois dela, nada.
Dos três conjuntos de oleado e bota guardados junto à porta, dois tinham saído com os donos. O terceiro continuava pendurado no gancho.
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Portão fechado, cozinha lavada, lamparinas prontas para acender, e um oleado ainda no gancho de quem teria descido até a água.
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A inspeção do desembarcadouro oeste encontrou estrago. Uma caixa de madeira presa numa fenda a trinta e quatro metros acima do mar tinha sido arrancada, e o conteúdo, cabos e ferragem de guindaste, estava espalhado pela rocha.
Havia mais. Grades de ferro entortadas, um trilho deslocado, uma pedra de mais de uma tonelada fora do lugar e uma boia salva-vidas arrancada, com os cabos ainda atados ao corrimão. O desembarcadouro leste estava intacto.
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