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Em março de 1974, dois lavradores preparavam a terra num campo ao pé do Mont'e Prama, uma elevação baixa perto de Cabras, na costa oeste da Sardenha. O arado travou numa pedra grande.
Sisinnio Poddi e Battista Meli tiraram do sulco uma cabeça de calcário. O dono do terreno, Giovanni Corrias, chamou o estudioso local Giuseppe Pau, que avisou a Superintendência Arqueológica de Cagliari e Oristano.
A primeira sondagem saiu em 1975, com Alessandro Bedini, e abriu 33 tumbas. Em 1977 vieram Maria Luisa Ferrarese Ceruti e Carlo Tronchetti, com cerca de trinta. Em 1979, Tronchetti conduziu a escavação sistemática.
As tumbas eram poços individuais cavados na rocha, um corpo em cada, fechados por laje, em fila ao longo de uma faixa estreita do terreno.
Por cima e ao lado da fila estava o resto. Do campo saíram 5.178 fragmentos de calcário, cerca de dez toneladas de pedra quebrada.
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Quinze cabeças. Vinte e sete bustos. Cento e setenta e seis pedaços de braço, cento e quarenta e três de perna e setecentos e oitenta e quatro cacos de escudo.
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A pedra não era do lugar. É calcarenito de uma pedreira a dezesseis quilômetros dali, ou seja, bloco de tonelada arrastado por dezesseis quilômetros antes do primeiro golpe de cinzel.
Terminada a campanha de 1979, os fragmentos foram para o depósito do Museu Arqueológico Nacional de Cagliari. Ficaram lá cerca de trinta anos.
A remontagem começou em 2007, no centro de restauro de Li Punti, em Sassari, sob direção de Roberto Nardi, e se estendeu até 2011.
A regra do trabalho foi não furar. Nenhum pino de metal, nenhum furo novo na pedra antiga: as peças foram unidas só com resina reversível, que qualquer leitura futura pode desmontar.
Daquele primeiro bloco saíram 28 figuras: 16 lutadores, 6 arqueiros e 6 guerreiros, além de maquetes de nuraghe talhadas em pedra e de betilos, os blocos cônicos que a ilha usava como marco.
As campanhas de 2014, de 2015 e 2016 e de 2022 somaram material novo, e o conjunto remontado chega hoje perto de quarenta figuras humanas.
De pé, as maiores medem 2,5 metros. Os arqueiros levam capacete de dois chifres e o arco atravessado no peito. Os lutadores seguram um escudo curvo acima da cabeça. Os guerreiros trazem o escudo à frente do corpo.
O rosto se repete em quase todas: sobrancelha reta, nariz em T, boca fina e, no lugar dos olhos, dois círculos concêntricos gravados na pedra.
Onze estão expostas hoje no museu cívico Giovanni Marongiu, em Cabras. Trinta e três estão no museu arqueológico nacional de Cagliari.
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