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O SÍTIO
Muralhas e salas de tijolo cru de Gonur Depe, no deserto de Karakum, Turcomenistão, escavadas a partir de 1972.
Foto: David Stanley, Wikimedia Commons, CC BY 2.0
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Gonur Depe era só um morro baixo de entulho, com o nome que os pastores lhe davam ("depe" quer dizer colina, em turcomeno), quando Viktor Ivanovich Sarianidi abriu ali a primeira trincheira, em 1972. Nascido em 1929 em Tashkent, no Uzbequistão, filho de família grega, ele percorria o Karakum desde os anos 1950.
O trabalho durou até a morte dele, em 2013, em Moscou. Foram quatro décadas de temporadas de campo, quase sempre no outono, quando o calor do deserto dá trégua.
O nome que ele deu
Sarianidi batizou a cultura de Complexo Arqueológico Bactria-Margiana, sigla BMAC em inglês. Bactria é o antigo nome do norte do Afeganistão; Margiana, o do delta do Murghab. Gonur seria a maior cidade e, na leitura dele, a capital.
O plano que saiu do chão tem duas partes. Ao norte, um recinto murado com o edifício que ele chamou de palácio. Ao sul, um segundo recinto, mais antigo, com muralha própria.
Dentro do recinto norte havia pátios, salas de armazenagem, uma piscina de tijolo e as salas com altares de barro. Nas paredes de algumas, a cinza se acumulava em camadas grossas, sinal de fogo aceso por muito tempo no mesmo lugar.
O cemitério dos carros
Fora dos muros, a equipe abriu milhares de covas. As mais ricas foram chamadas de túmulos reais: câmaras de tijolo com joias de ouro e prata, mosaicos de pedra colorida, carros de quatro rodas com aros de bronze e animais sacrificados ao lado.
Num desses túmulos havia um carro inteiro, com as rodas enterradas na posição de uso. Em outros, cães, carneiros e jumentos foram sepultados com o mesmo cuidado dos donos.
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Gonur tinha muralha, palácio, oficina de bronze e carro de rodas. Faltava só a palavra escrita.
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Os selos
Os selos de Gonur são de dois tipos. Os de carimbo, chatos, com a figura em relevo na base. E os cilíndricos, rolados sobre o barro mole para deixar uma faixa contínua de desenho.
As figuras mostram águias de duas cabeças, serpentes, dragões alados, cabras e cenas com homens e feras. Um selo achado por Sarianidi traz um elefante no estilo dos selos do vale do Indo, a civilização de Harappa, a mais de mil quilômetros ao sudeste.
Os desenhos provam contato com o Indo, com o Elam (o reino do sudoeste do atual Irã) e com a Mesopotâmia. Esses três vizinhos escreviam. Gonur copiou o selo deles e deixou a escrita de fora.
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