In partnership with

Mistérios Milenares   Mistérios Milenares
ED 127

1 leitor escolheu Rainha Himiko. Sai em 27/09.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A estrada reta de Chaco que acaba numa escada para o nada

No Novo México, uma via de 9 metros corre uns 50 quilômetros rumo ao norte e desce por degraus até um vale sem povoado

Leito reto de uma estrada antiga cruzando um planalto seco rumo a um cânion erodido, sob luz âmbar

Grande Estrada Norte de Chaco, Novo México

▼

FICHA DO ARQUIVO

Relato: no século 11, o povo de Chaco abriu uma estrada larga e reta de Pueblo Alto rumo ao norte.

Registro: fotos aéreas dos anos 1970 e escavações do Bureau of Land Management confirmaram o leito.

Anomalia: a via termina numa escada que desce ao Kutz Canyon, onde não havia cidade nem recurso.

Um levantamento do Bureau of Land Management (órgão federal que administra terras públicas nos Estados Unidos), conduzido pelo arqueólogo Chris Kincaid e publicado em 1983, mediu trechos da Grande Estrada Norte de Chaco com cerca de 9 metros de largura. Segundo o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, o povo que a construiu não usava roda nem tinha animal de carga.

A estrada sai de Pueblo Alto, uma grande casa de pedra no alto da mesa (planalto de topo achatado) ao norte do Chaco Canyon, no noroeste do Novo México. Dali segue rumo ao norte por uns 50 quilômetros, quase sem curva, atravessando planalto seco, ravinas e trechos de areia.

Quem caminhava por ela não puxava carroça. Levava cesto nas costas, tronco no ombro, cerâmica embrulhada em manta. Para essa gente, uma trilha de dois palmos bastaria. Os construtores preferiram raspar o solo até a camada firme, alinhar pedras nas bordas e manter a largura por quilômetros de terreno vazio.

A reta também intriga. Quando havia uma elevação no caminho, a estrada não contornava: subia de frente, às vezes com degraus cortados na rocha. Perto de Pueblo Alto, ela chega a correr em pistas paralelas, duas, três e até quatro faixas lado a lado, todas indo para o mesmo rumo.

E o rumo dá num lugar estranho. A estrada não termina numa aldeia grande, numa fonte de água ou numa jazida de turquesa. Ela chega à borda do Kutz Canyon, um vale de terra erodida, cinzenta e sem cultivo, e ali desce por uma escada escavada na encosta até o fundo.

Nenhum celeiro, nenhuma cidade, nenhuma mina esperava quem descia. Só o vale seco e, depois dele, mais norte.

A investigação começa pelo que a estrada deixou no chão e pelo modo como os arqueólogos a encontraram, quase mil anos depois, olhando de cima.

Continue lendo ↓

 
 

I  O Registro

I, Vista do avião, apagada no chão

O SÍTIO

O leito raso da Grande Estrada Norte cruzando o planalto seco ao norte do Chaco Canyon, no Novo México.

O leito raso da Grande Estrada Norte cruzando o planalto seco ao norte do Chaco Canyon, no Novo México.

Foto: Richard Croft, Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A Grande Estrada Norte de Chaco foi aberta pelos chacoanos, ancestrais dos atuais povos Pueblo, no auge do Chaco Canyon, no século 11 e no começo do 12. Nessa fase, o cânion reunia grandes casas (edifícios de pedra com centenas de cômodos), como Pueblo Bonito e o próprio Pueblo Alto, e funcionava como centro de uma rede de povoados espalhados pelo planalto.

Quem anda hoje pelo trajeto quase não enxerga a estrada. O leito é raso, coberto de mato baixo e areia soprada pelo vento, e em muitos trechos some no nível do chão. Por séculos, pastores navajos e fazendeiros cruzaram por cima dela sem perceber a reta.

A virada veio do ar. Nos anos 1970, o Chaco Center, programa de pesquisa do Serviço Nacional de Parques ligado à Universidade do Novo México, passou a usar fotografia aérea e sensoriamento remoto (leitura do terreno por imagens tiradas de avião). Em 1977, os pesquisadores Thomas Lyons e Robert Hitchcock publicaram a interpretação dessas imagens e mostraram linhas retas que a vista do chão escondia.

A luz baixa do entardecer ajudava. A sombra marcava as bordas escavadas, e a vegetação crescia diferente sobre o solo compactado. Nas fotos, o trajeto norte apareceu como uma das linhas mais longas e mais retas de todo o sistema viário chacoano.

O que a escavação confirmou

Nos anos 1980, o projeto de estradas do Bureau of Land Management, coordenado por Chris Kincaid, foi a campo conferir as linhas. As equipes abriram trincheiras atravessando o leito e acharam o que as fotos sugeriam: solo raspado até a camada dura, bermas (pequenos muros de terra e pedra nas margens) e, em alguns pontos, piso de rocha nivelado à mão.

No percurso apareceram construções associadas. Há a Halfway House, uma pequena grande casa quase na metade do caminho, e o conjunto chamado Pierre's Site, com estruturas no alto de colinas de onde se enxerga longe. Montes de pedra e plataformas baixas marcam outros pontos, talvez como sinalização para quem seguia a via.

A estrada tinha largura de avenida numa terra sem roda.

A ponta norte guarda o detalhe que mais pesa. Na borda do Kutz Canyon, a via desce por degraus escavados na encosta de argila e arenito, uma escada que levava do planalto ao fundo do vale. A erosão apagou boa parte dos degraus, e o trecho final é hoje difícil de ler no terreno. Nas proximidades fica Twin Angels, uma pequena grande casa chacoana erguida na borda do cânion.

Com a escada, o registro físico termina. Os construtores não deixaram escrita, e o que se sabe da estrada vem só do chão: largura, direção, bermas, degraus e as casas que a acompanham.

 

Quem banca a edição de hoje

Free Workshop: Turn a Tiny Audience Into $10k/month

We’ve driven over $10M in revenue for our newsletter clients and are unpacking the plug-and-play system thousands of people are using to turn a small email list into $2k-$10k/month.

(…without needing to quit your job, without needing to get on camera, and without needing prior experience).

We’ll show you how to start a newsletter in <30 minutes, scale to 1,000 readers, and make your first $10,000 in revenue.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

II  A Pergunta em Aberto

II, Rota de carga ou linha para o norte

A primeira leitura possível é a prática. Chaco dependia de fora: vigas de pinheiro vinham das serras Chuska e do monte Taylor, a turquesa chegava de minas distantes, e o milho de outras aldeias completava a colheita do cânion. Estradas largas facilitariam cargas, filas de carregadores e encontros de muita gente.

O problema é o destino. O Kutz Canyon não tem madeira, turquesa, argila rara nem terra boa para plantar. Uma rota de carga que corre 50 quilômetros até um vale improdutivo e desce uma escada para o nada não fecha a conta de ninguém que só quisesse transportar carga.

A leitura cósmica

Em 1989, a pesquisadora Anna Sofaer, fundadora do Solstice Project, publicou com Michael Marshall e Rolf Sinclair o estudo The Great North Road: a cosmographic expression of the Chaco culture of New Mexico (A Grande Estrada Norte: uma expressão cosmográfica da cultura de Chaco). O argumento: a via foi traçada para apontar o norte verdadeiro, e a direção importava mais que o ponto de chegada.

Nas tradições dos povos Pueblo, o norte costuma ser associado à origem. Os keres, povo pueblo de Acoma e de aldeias do rio Grande, falam de Shipap, o lugar de emergência, a abertura por onde os primeiros humanos subiram do mundo de baixo. Nas kivas (câmaras cerimoniais redondas, semienterradas), um pequeno buraco no piso, o sipapu (a passagem para o mundo de baixo), repete essa ideia.

Uma estrada que escolhe a direção antes do destino.

Lida assim, a escada ganha sentido. Descer do planalto para o fundo de um cânion ao norte seria encenar a volta ao lugar de origem, uma procissão, não uma viagem de carga. As pistas paralelas perto de Pueblo Alto também caberiam: faixas que ninguém precisava para tráfego fazem sentido para cerimônia e para grupos que andavam separados.

Quatro pistas para o mesmo rumo

O próprio Pueblo Alto reforça a hipótese de encontro. Escavações do Chaco Center, lideradas pelo arqueólogo Thomas Windes, encontraram ali um monte de lixo com enorme quantidade de cerâmica quebrada, mais do que os moradores fixos da casa produziriam. A leitura mais aceita é de banquetes e reuniões periódicas, com gente vinda de longe.

Há outra linha, mais ampla. Em 1999, o arqueólogo Stephen Lekson propôs, no livro The Chaco Meridian (O Meridiano de Chaco), que os chacoanos alinharam seus centros num eixo norte e sul: Chaco, depois Aztec Ruins, ao norte, e mais tarde Paquimé, no México. Nessa leitura, a Grande Estrada Norte seria o primeiro traço visível desse eixo.

Em 1992, o arqueólogo John Roney, também do Bureau of Land Management, lembrou que muitas estradas chacoanas são trechos curtos que saem das grandes casas e somem. Para ele, parte do sistema servia de monumento em volta dos edifícios, e a observação serve de aviso contra ler cada linha como caminho longo.

 
 

III  O Que Falta Provar

III, A escada que desce ao vale seco

A primeira lacuna é a data. Estrada não tem viga para datar por anéis de árvore. A idade da Grande Estrada Norte vem da cerâmica achada no leito e das casas que a acompanham, e a cerâmica permite dizer em que época ela estava em uso, mas não em que ano começou nem quanto tempo levou.

A segunda lacuna é a continuação. A estrada termina na escada do Kutz Canyon, ou seguia pelo fundo do vale até o rio San Juan e as grandes casas de Salmon e Aztec, mais ao norte? Nenhum levantamento confirmou leito do outro trecho. O vale é de terra que desmancha com chuva, e uma via rasa não resistiria mil anos de erosão ali.

Três lacunas no chão

Essa ausência corta dos dois lados. Quem defende a peregrinação diz que a via acabava de propósito na escada. Quem defende o meridiano de Lekson diz que o trecho seguinte simplesmente se perdeu. O terreno, como está, não permite escolher: falta leito para provar a continuação, e falta prova de que nunca houve continuação.

A terceira lacuna é a própria escada. Os degraus estão tão gastos que não dá para medir quantos eram, nem se havia apoio de madeira, nem se a descida era usada por muita gente ou por poucos em datas marcadas. Sem desgaste de piso legível, a frequência de uso fica fora de alcance.

O chão mostra como fizeram, nunca o motivo.

Resta a memória viva. Hopis, zunis, acomas e outros povos Pueblo consideram Chaco lugar de ancestrais e mantêm tradições sobre ele. Parte desse conhecimento é cerimonial e não é partilhada com pesquisadores de fora, por decisão das próprias comunidades, e a arqueologia não tem como exigir o que elas escolhem guardar.

O desfecho, então, é este: o propósito da Grande Estrada Norte de Chaco segue desconhecido, porque o povo que a abriu não deixou escrita, a via termina onde não havia recurso algum, e a erosão do Kutz Canyon apagou a única pista física que diria se a escada era ponto final ou passagem.

Uma via de peregrinação que levava ao ponto onde a terra se abre para o norte, ou o trecho que sobrou de uma rota até as grandes casas do rio San Juan, apagada depois da escada. A escada no fim do planalto sustenta a primeira leitura; as ruínas de Aztec e Salmon, ao norte, sustentam a segunda.

 
 
 
Sua jornada
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}

{{vip_linha | }}

 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆2627282930

Dia 3 de 7 · a temporada de setembro fecha 30/09

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 
Sorteia a sua pergunta de hoje. Oito perguntas, uma por dia. O ebook ensina, o app cobra. Sortear minha pergunta de hoje.

Sortear minha pergunta de hoje →

 
Quiz da edição

Quem conduziu o levantamento de 1983 que mediu a largura da Grande Estrada Norte de Chaco?

AThomas Lyons, autor da leitura das fotos aéreas de 1977
BChris Kincaid, arqueólogo do Bureau of Land Management
CAnna Sofaer, autora do estudo cosmográfico de 1989
DRobert Hitchcock, coautor da interpretação aérea de 1977

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Você pediu, mudou

Você fez a diferença

4,6de 5

28 avaliações · 14 leitores · 12 a 25/09

A escolha da semana

1 leitor escolheu Pegadas do Diabo de Devon na urna de 22/09. Saiu em 25/09, na ed. 126.

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗝️🗝️🗝️🗝️🗝️  ótima 🗝️🗝️🗝️🗝️  boa 🗝️🗝️🗝️  ok 🗝️🗝️  ruim 🗝️  péssima
 
Escolha uma das próximas edições

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai nos próximos dias.

Voto aberto até 27/09, 15h30

A Mega-sítios de Trypillia →
B Povoamento de Madagascar →
C Teotihuacan →
D Shahr-e Sukhteh →
 
 

Quem banca a edição de hoje

1,000,000 Men Use This. You Probably Know One.

Most men don't think about their skin until eye bags, dark spots, and wrinkles show up at once. Particle Face Cream is a groundbreaking men's formula that fights all three, while also restoring firmness and hydrating deeply. No complicated routine. Trusted by over a million men. 30-day money-back guarantee. 20% off with code BH20.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Marcas Memoráveis

Marcas Memoráveis

O movimento que fez a marca ser lembrada, o bastidor do branding e o erro que saiu caro, em dois minutos. No seu email todo dia às 18:18.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook A Resposta das Pirâmides
ebook A Resposta das Pirâmides

Pegar meu link de indicação →

 
Amanhã nesta news

ED 128 · amanhã às 20:20

Rainha Himiko e o reino que ninguém consegue pôr no mapa

Uma crônica chinesa de 297 descreve a rainha de Yamatai em detalhe, e o reino dela pode ter ficado em Kyushu…

 

Amanhã, abrimos outro. Mysterium manet.

MISTÉRIOS MILENARES

Cada noite, um mistério. Com a profundidade que você quer

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter
📚 Artigos