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A gruta fica perto do vilarejo de Bruniquel, no Tarn-et-Garonne, num paredão de calcário acima do rio Aveyron. A boca antiga desabou em algum momento e o acesso ficou fechado por entulho.
Um adolescente do clube de espeleologia local percebeu uma corrente de ar saindo do bloqueio e passou anos cavando o corredor entupido. Em 1990 a passagem cedeu, e o grupo entrou numa galeria que ninguém pisava havia milênios.
A caminhada até a sala principal dá 336 metros. Passado o primeiro trecho, não entra claridade nenhuma, e a galeria alterna estreitamento, rampa e piso de calcita. É lá que as lanternas pegaram o desenho no chão.
Havia duas estruturas em anel. A maior mede cerca de 6,7 por 4,5 metros, a menor, colada a ela, cerca de 2,2 por 2,1 metros. Em volta, quatro pilhas menores do mesmo material.
O material é estalagmite quebrada. São cerca de 400 pedaços, somando 112 metros lineares de calcita e por volta de 2,2 toneladas. A maioria foi partida em comprimento parecido, algo entre trinta e quarenta centímetros.
As peças estão alinhadas lado a lado, em até quatro camadas sobrepostas, e algumas foram encostadas por fora como escora. Não é entulho de teto caído: tem seleção de tamanho, alinhamento e apoio.
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Nenhuma lasca de sílex. Nenhum osso de refeição. Nenhuma marca de moradia. Quatrocentos pedaços de estalagmite quebrados, calibrados e empilhados, e o resto do chão vazio.
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Sobre as construções aparecem dezoito pontos com marca de fogo: calcita avermelhada e enegrecida pelo calor, mais fragmento de osso queimado, um deles de urso. O fogo foi aceso em cima da estrutura, não ao lado dela.
Nos anos 1990, um osso queimado dali foi para o radiocarbono e voltou com mais de 47 mil anos, além do alcance do método. O arqueólogo que conduzia o trabalho, François Rouzaud, faleceu em 1999, e a pesquisa parou por quinze anos.
Em 2013 uma nova equipe voltou com a geoquímica da caverna. A ideia era direta: a calcita que voltou a crescer sobre as peças quebradas é mais nova que a quebra, e calcita se data por urânio-tório com margem estreita.
O resultado saiu na revista Nature em 2016, assinado por Jacques Jaubert, Sophie Verheyden, Dominique Genty e colegas: 176.500 anos, com margem de 2.100 para mais ou para menos, em amostras de vários pontos das duas estruturas.
Naquela data, o único humano na Europa era o neandertal. O Homo sapiens só aparece no continente mais de cem mil anos depois. Não há osso humano dentro da gruta, então a autoria vem da data e da exclusão, nunca de um corpo achado no local.
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