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Na primavera de 1998, John Lorimer pescava camarão na praia de Holme next the Sea, no norte de Norfolk. Na lama exposta pela maré ele achou uma cabeça de machado de bronze e avisou o museu de Norwich.
Perto do ponto do achado havia um toco saindo da turfa. Não era tronco caído nem raiz de mata antiga: estava fincado ao contrário, com as raízes abertas para o céu.
Em volta dele, a maré tinha descoberto um anel. Cinquenta e cinco carvalhos fendidos ao meio, cravados de pé numa vala circular, formando um cercado oval de cerca de sete por seis metros.
A montagem era deliberada. Cada tronco foi posto com a casca voltada para fora e a face rachada para dentro, com uma única peça fora do padrão. De fora, parecia uma parede contínua de árvores.
Havia uma entrada só. Um dos postes do lado sudoeste tinha uma forquilha em Y, larga o bastante para uma pessoa passar de lado, e outro tronco plantado na frente impedia que alguém de fora enxergasse o interior.
Os postes desciam cerca de um metro no chão da época, e os topos foram comidos pela maré antes de qualquer arqueólogo chegar.
No centro, o toco invertido pesava algo perto de duas toneladas e meia, e foi arrastado até ali com cordas de madressilva trançada. Um trecho dessa corda ainda estava preso quando a escavação começou.
As marcas de lâmina renderam a conta mais estranha do sítio. A especialista em madeira Maisie Taylor separou pelo menos cinquenta machados de bronze diferentes pelas assinaturas de corte, e um estudo com imagem tridimensional chegou a cinquenta e nove lâminas.
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Casca para fora, face rachada para dentro. Uma forquilha em Y por onde se passa de lado. Corda de madressilva ainda amarrada ao toco. Nenhum osso, nenhum caco, nenhuma oferenda.
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As amostras foram para o laboratório de dendrocronologia de Sheffield. Todos os troncos vieram de árvores derrubadas em 2049 a.C., e o alburno sob a casca colocou o corte na primavera ou no início do verão.
O lugar não era praia. Em 2049 a.C. o anel ficava numa marisma protegida por barreiras de areia mais ao largo, e depois o terreno virou brejo de água doce, com a turfa crescendo por cima.
A cem metros dali apareceu um segundo monumento, batizado de Holme II: dois anéis concêntricos de madeira em volta de uma cova forrada de trama de vime, com dois troncos de carvalho deitados dentro. A dendrocronologia deu o mesmo ano, 2049 a.C., e ali a casca foi arrancada, ao contrário de Holme I.
A escavação começou em 26 de maio de 1999, sob direção de Mark Brennand, da unidade arqueológica de Norfolk, com poucas horas de trabalho por dia, entre marés.
O trabalho virou conflito público. Moradores e grupos neopagãos tentaram impedir a retirada da madeira, e houve liminar contra manifestantes. Desde 2008 a madeira está exposta no museu de King's Lynn.
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