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A hipótese do príncipe de Baden tem data e endereço. Em 29 de setembro de 1812, Stéphanie de Beauharnais, filha adotiva de Napoleão e esposa do grão-duque Carlos de Baden, deu à luz um menino no castelo de Karlsruhe, e a criança foi declarada sem vida poucos dias depois, sem que a mãe a tivesse visto.
O que alimenta a suspeita é a sucessão. Carlos não deixou herdeiro homem, o trono de Baden passou em 1830 para o tio Luís e depois para o ramo nascido do casamento morganático do avô com Luísa Carolina de Hochberg, exatamente a família que a troca beneficiaria.
O primeiro exame de DNA saiu em novembro de 1996, encomendado pela revista alemã Der Spiegel. O material foi uma mancha de sangue numa peça de roupa íntima guardada como sendo a que ele vestia em 1833, e a análise de DNA mitocondrial, o material genético transmitido apenas por via materna, foi feita no laboratório forense de Birmingham, na Inglaterra.
O resultado de 1996 não bateu. A sequência da mancha divergia da de Astrid von Medem, descendente pela linha feminina de Stéphanie de Beauharnais, e a leitura publicada foi que o rapaz não pertencia à casa grã-ducal.
O segundo exame, de 2002, virou a mesa. Bernd Brinkmann, do Instituto de Medicina Legal de Münster, analisou seis amostras diferentes atribuídas a Kaspar Hauser, entre fios de cabelo e fragmentos de vestuário guardados em museu, e obteve delas um mesmo perfil materno, distinto do perfil da mancha de 1996.
O achado que reabriu tudo foi a proximidade. O haplótipo de 2002, o conjunto de variantes herdado em bloco pela linha materna, ficou a uma única posição de distância do haplótipo dos descendentes de Stéphanie, resultado que não confirma parentesco mas também não permite descartar.
O terceiro exame chegou em agosto de 2024, na iScience. Turi King e Walther Parson sequenciaram o genoma mitocondrial completo de fios de cabelo de três acervos ligados ao rapaz, lendo a molécula inteira, e não os trechos curtos usados nos anos 1990.
O resultado de 2024 foi negativo e estável. Os três acervos entregaram o mesmo perfil materno, o perfil não corresponde ao da linhagem de Baden, e os autores concluíram que o rapaz encontrado em Nuremberg não era filho de Stéphanie de Beauharnais.
O que trava a conclusão é a procedência das amostras. Nenhum dos três exames trabalhou com material colhido do corpo sob cadeia de custódia moderna, todos dependeram de peças doadas a museus ao longo de quase dois séculos, e perfis divergentes entre acervos indicam que pelo menos parte do que se guarda como sendo dele não é dele.
"Três laboratórios sérios, com os mesmos métodos de referência, chegaram a três leituras sobre a mesma pessoa, e nenhum deles pôde examinar o corpo?"
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