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Em York, sob a catedral e as ruas do centro, está a planta de um forte legionário retangular de cerca de vinte hectares. Foi fundado por volta de 71, na campanha de Quinto Petílio Cerial contra os brigantes, e a Nona foi a unidade que o ocupou.
O achado que fixa a data é uma placa de pedra do portão sudeste, recuperada em pedaços e remontada. O texto traz a titulatura do imperador Trajano com o número de tribunícia potestade que corresponde ao ano 108, e nomeia a Legio VIIII Hispana como responsável pela obra.
A placa não é uma lápide nem um troféu. É registro de construção, o gênero mais burocrático da epigrafia romana, e serve para dizer uma coisa só: naquele ano, aquela legião estava ali, com dinheiro e mão de obra para levantar um portão de pedra.
A partir daí o dossiê muda de natureza. Nenhuma inscrição posterior coloca a Nona na Britânia.
Em torno de 122, na visita de Adriano à província, quem aparece em Eboracum é a Legio VI Victrix, trazida da Baixa Germânia pelo governador Aulo Platório Nepos. O forte segue funcionando, com outra unidade dentro.
Há um segundo documento, e ele é o mais citado da discussão. Uma laje encontrada em Roma traz a relação das legiões do império organizada por província, gravada em meados do século II, e a Nona não consta em lugar nenhum dela.
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Uma unidade de cinco mil homens sai da lista oficial do exército imperial e nenhum autor romano sobrevivente escreveu uma linha dizendo por quê.
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O terceiro bloco de evidência veio de fora da ilha, e é material de olaria. Em Nimega, na Holanda, na margem do Reno, apareceram telhas com o carimbo da Nona.
O contexto de Nimega tem data de partida. A Legio X Gemina, que ocupava o forte de lá, saiu para a Panônia por volta de 104, o que empurra os carimbos da Nona para depois dessa saída.
Há ainda o quarto bloco, feito de carreiras individuais. Inscrições honoríficas listam os postos que cada oficial romano ocupou, em ordem, e o caso mais discutido é o de Lúcio Emílio Karus, que aparece como legado da Nona e depois como governador da Arábia por volta de 142.
Reunidos, os quatro blocos formam um retrato incômodo. A legião existe em pedra até 108 na Britânia, provavelmente existe no Reno em algum ponto depois disso, talvez ainda exista nos anos 120, e não existe mais quando Roma faz a lista.
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