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O achado central veio de escavação de palácio. Arthur Evans começou a trabalhar em Cnossos em 1900 e encontrou depósitos de tabuinhas de argila queimada nos setores de armazenamento e nos corredores administrativos do complexo.
Evans percebeu logo que não havia um sistema, e sim dois. Ele separou os documentos em Linear A e Linear B, batizando pela geometria dos traços, e notou que os dois compartilham boa parte do repertório de sinais sem serem a mesma coisa.
O acervo do Linear A ficou espalhado por vários sítios da ilha e não se concentra em Cnossos. O conjunto mais rico saiu de Hagia Triada, na planície da Messará, uma villa incendiada que devolveu a maior coleção de tabuinhas do sistema.
Aparecem também em Zakros, no leste, em Festo, no sul, em Malia e em pontos menores, além de fora de Creta, em ilhas do Egeu com presença minoica. O padrão de recuperação é sempre o mesmo: camada de destruição, argila cozida pelo calor, documento salvo por engano.
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Nenhum arquivo minoico foi preservado por decisão de alguém. Cada tabuinha que chegou até aqui atravessou o incêndio que apagou o escritório que a produziu.
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O que está escrito nelas é administração pura, não literatura nem história. As tabuinhas registram entradas e saídas de gêneros, gente e animais, com um logograma indicando o produto e um numeral indicando a quantidade.
O formato é rígido e ajuda a análise. Uma linha traz o item, outra traz o nome ou o lugar, e o conjunto costuma fechar numa linha de soma.
Duas palavras do sistema são hoje razoavelmente compreendidas justamente por ocuparem sempre essa posição de fecho. Uma delas aparece antes do número final de uma lista, comportamento típico de um termo para total. Outra aparece marcando o que falta para completar uma entrega, e vem sendo lida como um registro de saldo devedor.
Fora das tabuinhas, o Linear A aparece em outro suporte e com outro tom. Vasos de libação em pedra, encontrados em sítios de culto de montanha, trazem uma fórmula inscrita que se repete de peça em peça, com uma sequência recorrente que os estudos tratam como termo religioso ou nome de divindade.
O corpus completo foi publicado em cinco volumes por Louis Godart e Jean-Pierre Olivier, entre os anos 1970 e 1980, e virou a base de referência de qualquer trabalho sobre o assunto.
O tamanho do material é o primeiro problema. O total de documentos conhecidos fica na casa dos poucos milhares de sinais somados, muitos deles em fragmentos com uma linha ou duas, o que é pouquíssimo texto para qualquer método estatístico de decifração.
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