A resposta de ontem Que templo a rampa de terra de Dura-Europos guardou? A sinagoga da cidade. A terra jogada contra a muralha cobriu o prédio e salvou os afrescos com cenas da Bíblia hebraica, datados por inscrição de 244. Escavada pela expedição de Yale em 1932, a sala foi remontada parede por parede no Museu Nacional de Damasco, onde está até hoje. |
O SÍTIO
Paredão de rocha do Alto Mustang, no Nepal, furado por cavernas abertas a mão a dezenas de metros do chão.
Foto: Raunak Maskay, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
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As cavernas de Samdzong, no Alto Mustang, guardavam um grupo de câmaras funerárias que a equipe de Mark Aldenderfer catalogou como Samdzong 5. O trabalho reuniu arqueólogos americanos e nepaleses e escaladores contratados só para chegar às bocas.
A descida de Athans
Athans desceu de corda desde o topo do penhasco até a abertura da câmara. Lá dentro, o teto baixo obrigava a trabalhar de joelhos, e a poeira fina subia a cada movimento.
As câmaras tinham sido abertas no fundo de um poço vertical, cavado a partir do alto do paredão. Quando a frente da rocha desabou, séculos depois, as câmaras ficaram expostas na face do penhasco, com a boca virada para o vazio.
O trabalho dentro das câmaras era lento. Cada objeto saía embrulhado e descia pela mesma corda, numa bolsa presa ao arnês, até a equipe que esperava no pé do paredão.
A máscara
A peça é uma lâmina fina de ouro com partes de prata, do porte de um rosto pequeno. Olhos, nariz e boca aparecem em relevo, batidos por trás da chapa.
Furos na borda mostram por onde ela foi costurada num tecido. A máscara ficava presa a um pano sobre o rosto do morto, e não solta no chão da câmara.
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A máscara cobria o rosto de alguém enterrado num lugar aonde nenhum morador da aldeia sabe subir.
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O enxoval
Com ela saíram vasos de cobre, uma taça de bronze, armas de ferro, contas de vidro, restos de caixões de madeira e ossos de animais. Segundo Aldenderfer, parte das contas de vidro veio de longe, provavelmente de oficinas do sul da Ásia ou mais a oeste.
A rota fazia sentido. Pelo vale do Kali Gandaki descia o sal do Tibete rumo às planícies da Índia, e de volta subiam grão, metal e tecido. Quem controlava o vale cobrava passagem e enriquecia.
O ouro não aparece em nenhuma outra tumba conhecida do Mustang com esse acabamento. Para Aldenderfer, o morto de Samdzong pertencia a uma elite local que lucrava com essa passagem de mercadorias.
Os ossos com cortes
A bioarqueóloga Jacqueline Eng, da Universidade Western Michigan, examinou ossos de câmaras do Mustang e achou marcas finas de lâmina. Os cortes indicam que a carne foi retirada dos ossos depois do óbito, num rito funerário feito com cuidado.
O costume lembra o enterro celeste (o rito tibetano em que o corpo é entregue aos abutres), praticado na região até hoje. A ligação entre os dois ritos não está provada: nenhum texto do período sobreviveu para dizer o que os vivos pensavam ao limpar os ossos.
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