In partnership with

Mistérios Milenares   Mistérios Milenares
ED 155
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Os 20 soldados romanos sob a muralha de Dura-Europos

Enxofre e betume ao lado dos corpos apontam fumaça lançada de propósito por volta de 256, e nenhum texto antigo narra a queda da cidade

Túnel de tijolo cru sob uma muralha antiga no deserto

Muralha oeste de Dura-Europos, sobre o Eufrates

▼

FICHA DO ARQUIVO

Caso: a mina de Dura-Europos.

Local: Dura-Europos, Síria.

Anomalia: enxofre num túnel.

O s escavadores da Universidade de Yale tiraram de Dura-Europos, na margem síria do Eufrates, o arquivo da guarnição romana, com listas de soldados, recibos e o Feriale Duranum (o calendário de festas militares de Dura). Sobre os dias em que os persas tomaram a cidade, por volta de 256, nenhuma linha escrita sobreviveu, nem ali nem em qualquer biblioteca do mundo antigo.

A cidade guardou papel de sobra para contar a própria rotina. Para contar a própria queda, deixou só terra, madeira queimada e ossos.

Dura nasceu por volta de 300 antes de Cristo como posto dos selêucidas, a dinastia grega herdeira de Alexandre no Oriente. Passou aos partas e, a partir de 165 depois de Cristo, virou fortaleza romana na fronteira com a Pérsia.

No século III, o inimigo do outro lado do deserto era o Império Sassânida, a nova dinastia persa. O rei Shapur I atacou as cidades romanas da Síria nos anos 250, e Dura ficava bem no caminho.

A cidade foi achada por acaso. Em 1920, soldados britânicos que cavavam uma trincheira bateram numa parede coberta de pinturas, e a notícia chegou aos arqueólogos em poucos meses.

Entre 1928 e 1937, Yale e a Academia Francesa de Inscrições e Belas-Letras escavaram o sítio. Debaixo da muralha oeste, a voltada para o deserto, os franceses abriram túneis que ninguém tocava havia dezessete séculos.

Num deles, sob a Torre 19, havia soldados romanos caídos uns sobre os outros, ainda com cota de malha e capacete. A poucos metros, num corredor persa, havia um único soldado inimigo, também de armadura.

Ao lado desse corredor, os escavadores anotaram cristais amarelos de enxofre e resto de betume, o piche mineral que brota do chão na Mesopotâmia. Ninguém deu atenção ao detalhe por quase oitenta anos.

O registro começa pelo túnel que os romanos cavaram para salvar a torre.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Create work your clients can rely on

With Lovable, you'll have a working version of your client's site ready for the first meeting. Plus:

  • Launch on your client's own domain

  • Build sites that get found on Google

  • Catch bugs and errors with project monitoring

  • Run every client site on one plan

Discount of $5 applies to first month of any paid plan. You need to sign up via this webpage in order to claim the discount. The discount applies to new and returning users without an active paid plan. Terms apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Registro

A galeria sob a Torre 19

A resposta de ontem

Em que navio chegou a expedição que desenhou Taga em 1742?

No HMS Centurion, o navio do comodoro George Anson e o único da esquadra ainda inteiro. A tripulação ficou cerca de dois meses em Tinian, de agosto a outubro de 1742, curando o escorbuto, e a gravura dos pilares saiu no relato de Richard Walter, A Voyage Round the World, em 1748.

O SÍTIO

Ruínas de Dura-Europos no alto do penhasco sobre o rio Eufrates, no leste da Síria.

Ruínas de Dura-Europos no alto do penhasco sobre o rio Eufrates, no leste da Síria.

Foto: Heretiq, Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.5

O cerco seguiu uma receita conhecida. Os persas cavaram uma mina (um túnel de ataque por baixo da muralha) rumo à Torre 19, para escorar a fundação com madeira e depois queimar as escoras até a torre desabar.

Os romanos ouviram o trabalho debaixo da terra. Responderam com uma contramina, uma galeria cavada pelos defensores para cruzar o túnel inimigo antes de ele chegar à fundação.

O encontro no escuro

As duas galerias se cruzaram. Do lado romano, ficaram os restos de cerca de vinte soldados, segundo o arqueólogo Simon James, da Universidade de Leicester, no American Journal of Archaeology de 2011.

O escavador francês Robert du Mesnil du Buisson, responsável pelos túneis nos anos 1930, leu a cena como combate corpo a corpo. Para ele, os romanos invadiram o túnel persa, foram rechaçados e acabaram soterrados quando a galeria cedeu.

Os corpos não estavam espalhados como num recuo. Estavam empilhados na boca da contramina, quase uma parede de gente e equipamento.

A posição pesou décadas depois. Soldado abatido em combate fica onde caiu, e não arrumado em monte na saída de um túnel estreito, com o equipamento por cima.

O soldado persa

O único inimigo no túnel usava cota de malha e trazia uma espada com punho de jade. Estava sozinho, longe dos romanos, a poucos passos da entrada do corredor persa.

Du Mesnil du Buisson o tomou por um guerreiro morto na luta. Simon James, ao reler as notas, viu ali o homem que acendeu o fogo e respirou a própria fumaça.

O que o chão guardou

Os relatórios dos anos 1930 citam os cristais de enxofre e o betume junto à entrada persa. Nenhum dos dois serve para escorar túnel nem para iluminar galeria.

James foi aos arquivos de Yale nos anos 2000, refez as plantas com os desenhos originais e cruzou a posição de cada objeto com a de cada corpo. O enxofre ficava na entrada persa, a poucos metros da pilha romana.

Enxofre queimado com betume solta dióxido de enxofre, um gás que ataca os pulmões e mata em poucos minutos dentro de um espaço fechado.

O túnel incendiado

Depois do encontro, alguém empilhou os corpos e pôs fogo nas escoras da contramina. As vigas viraram carvão, e o teto da galeria romana desceu.

A Torre 19 afundou e rachou, mas não caiu. Os romanos tinham reforçado a muralha por dentro com uma rampa de terra e tijolo cru, e a rampa segurou o peso.

 

Quem banca a edição de hoje

DIT AgTech Doesn’t Need to Sell Hardware to Make Money.

One installation can generate years of recurring supplement revenue. 

DIT AgTech provides the hardware free to ranchers through a three-year nutrition plan. The hardware gets installed once. The supplements keep generating revenue year after year. 

Then there’s the second paycheck. 

Methane reduction is becoming an economic opportunity for agriculture. 

Methane-reducing nutrition create carbon credits, giving ranchers another income stream while creating an additional revenue opportunity for DIT AgTech. 

That means one connected livestock operation generates recurring supplement revenue, with carbon revenue as additional upside. 

We win when ranchers win. 

The model is already working in Australia, one of the world's toughest livestock environments, with 500+ units deployed and 370,000 head on the platform. 

Now DIT AgTech brings that proven model to the massive U.S. livestock market. 

For investors, the opportunity is getting in before the model scales into its next market.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

II  A Pergunta em Aberto

Fumaça de propósito ou fogo de escora

Simon James defende a leitura mais dura. Os persas teriam ouvido a contramina chegando, preparado um braseiro com enxofre e betume e esperado o rompimento da parede de terra.

Quando os romanos abriram o buraco, a fumaça teria entrado pela galeria deles, puxada pela diferença de ar entre os dois túneis ou empurrada com foles.

A cronologia da fumaça

Nessa leitura, os romanos caíram em minutos, sem chance de recuar. Os persas esperaram o gás baixar, arrastaram os corpos até a boca da contramina e montaram com eles uma barreira contra um segundo ataque.

Em seguida, encharcaram as escoras romanas com betume e acenderam. O incêndio deveria derrubar a torre por cima da galeria inimiga.

Se a leitura estiver certa, Dura guarda o vestígio mais antigo de ataque com gás de que a arqueologia tem notícia.

A receita dos gregos

Os antigos conheciam a fumaça como arma de túnel. Políbio, nas Histórias, livro 21, escritas no século II antes de Cristo, conta o cerco de Ambrácia em 189 antes de Cristo, onde os defensores encheram um jarro de penas, acenderam e sopraram a fumaça com foles contra os mineiros romanos.

Eneias, o Tático, autor grego do século IV antes de Cristo, recomendava o mesmo truque no manual sobre defesa de cidades sitiadas. A técnica estava nos livros havia seis séculos quando os persas cavaram em Dura.

A leitura contrária

Outros estudiosos aceitam o enxofre e discordam da intenção. O betume era o combustível comum para incendiar escoras, e o enxofre podia vir misturado nele, sem plano de envenenar ninguém.

Nessa versão, os romanos teriam morrido sufocados pela fumaça do incêndio das vigas, um acidente de guerra comum em túnel, e não uma emboscada química montada com antecedência.

O que pesa a favor de James

O enxofre estava em cristais soltos, separado do betume, e não diluído nele. Quem queria só queimar madeira não precisava carregar um mineral à parte até o fundo do túnel.

O soldado persa caído sozinho também pesa. Ele caiu de armadura, longe da luta, perto do ponto onde o braseiro estaria.

Nenhum dos dois lados tem prova química direta. O ar do túnel sumiu há dezessete séculos, e os ossos não guardam vestígio de dióxido de enxofre.

 
 

III  O Que Falta Provar

A cidade sem cronista

A mina da Torre 19 falhou, e mesmo assim Dura caiu. Ninguém sabe por onde os persas entraram, em que mês nem quantos defensores restavam.

O silêncio dos textos

Shapur I mandou gravar os próprios feitos numa rocha em Naqsh-e Rustam, no atual Irã, com a lista das cidades romanas tomadas nas campanhas da década de 250. Uma “Dura” aparece na lista, e não se sabe se é esta.

Do lado romano, nenhum historiador do século III registrou o cerco. As moedas achadas na cidade param por volta de 256, e é por elas, e não por um texto, que a data se sustenta.

A guarnição incluía a Cohors XX Palmyrenorum (a Vigésima Coorte de Palmirenos), tropa recrutada em Palmira, a cidade das caravanas a oeste. Os papiros dela também param nos anos 250, sem uma única menção ao inimigo cavando debaixo da muralha.

A rampa e a mina da Torre 14

Os escavadores acharam outra frente de ataque, perto da Torre 14. Ali os persas ergueram uma rampa de terra contra a muralha e cavaram outra mina, que derrubou parte da torre.

Pode ter sido a brecha final. Nenhum objeto prova a ordem dos ataques, e nenhum relato de batalha sobrou para contar o desfecho.

O destino dos moradores

Shapur costumava levar a população das cidades tomadas para a Pérsia, como fez com Antioquia. Em Dura, ninguém encontrou vala comum nem sinal de massacre dentro das casas.

Amiano Marcelino, nas Histórias, escritas por volta de 390, viu o lugar em 363, na marcha do imperador Juliano. Chamou Dura de “cidade deserta”, já ocupada por manadas de cervos às margens do rio.

Dura nunca voltou a ser habitada, e a única testemunha da queda é o subsolo.

O que uma prova exigiria

1. Analisar de novo o carvão e o enxofre recolhidos no túnel, se ainda estiverem nos depósitos da expedição.

2. Encontrar um texto persa ou romano, em pedra ou papiro, que cite o cerco e a data da entrada.

3. Escavar de novo a rampa da Torre 14, trabalho impossível desde o saque do sítio na guerra civil síria, iniciada em 2011.

A rampa interna de terra, construída para segurar a Torre 19, enterrou também a rua colada à muralha e as casas que davam para ela.

Ler a contramina da Torre 19 como o primeiro ataque com gás de que há vestígio, ou como um incêndio de escoras que sufocou por acaso. O enxofre serve às duas leituras e está nas notas de Yale.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Que templo a rampa de terra de Dura-Europos guardou com as paredes pintadas inteiras?

 
 
 
Quiz da edição

Segundo o arqueólogo Simon James, no American Journal of Archaeology de 2011, quantos soldados romanos ficaram empilhados na boca da contramina sob a Torre 19?

ACerca de 5 soldados
BCerca de 20 soldados
CCerca de 50 soldados
DCerca de 100 soldados

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
 
Você pediu, mudou

Você fez a diferença

4,8de 5

16 avaliações · 10 a 23/10

A escolha da semana

A urna de 06/10 escolheu Nórdicos da Groenlândia. Saiu em 10/10, na ed. 141.

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗝️🗝️🗝️🗝️🗝️  ótima 🗝️🗝️🗝️🗝️  boa 🗝️🗝️🗝️  ok 🗝️🗝️  ruim 🗝️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 24/10, 23h

A Tillya Tepe →
B Sandby Borg →
C Leang Karampuang →
D Monte Craig de Spiro →
 
Recomendação de Newsletter
Geografia do Dia

Geografia do Dia

Uma cidade, um país ou um lugar por dia, com o mapa e a razão de ele ser daquele jeito, em dois minutos. No seu email todo dia às 20:20.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 

Amanhã, abrimos outro. Mysterium manet.

MISTÉRIOS MILENARES

Cada noite, um mistério. Com a profundidade que você quer

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo