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O SÍTIO
Lingotes de cobre em forma de couro de boi tirados do naufrágio de Uluburun, expostos no Museu de Arqueologia Subaquática de Bodrum.
Foto: Martin Bahmann, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
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Em 1982, o mergulhador de esponjas turco Mehmed Çakır avistou perto de Kaş placas de metal que descreveu ao capitão do barco como biscoitos com orelhas. Eram lingotes de cobre, e o achado virou o naufrágio de Uluburun.
Onze anos de mergulho
O Instituto de Arqueologia Náutica escavou o sítio de 1984 a 1994, primeiro sob o arqueólogo americano George Bass e depois sob o arqueólogo turco Cemal Pulak. O instituto contabiliza mais de 22 mil mergulhos na escavação.
Os mergulhadores tiraram do fundo 354 lingotes de cobre no formato de couro de boi (placas retangulares com quatro pontas puxadas, boas de carregar no ombro), segundo a contagem publicada pelo próprio instituto.
O estanho veio em lingotes do mesmo formato e em pedaços cortados deles. Boa parte chegou à superfície corroída, com o metal transformado em óxido, e as análises de origem esperaram técnicas mais finas.
Cemal Pulak datou o naufrágio pelos anéis de crescimento da lenha guardada a bordo e pela cerâmica do carregamento. As duas pistas apontam para os últimos anos do século 14 a.C.
Sem estanho, o cobre fundido sai mole. Com perto de um décimo de estanho, a liga endurece, funde em temperatura menor e enche melhor o molde, e por essa razão o metal valia tanto quanto a distância que percorria.
O que os isótopos contam
Isótopo é a versão de um mesmo elemento químico com peso diferente no núcleo do átomo. O chumbo tem quatro isótopos estáveis, e a mistura entre eles depende da idade e da rocha de cada jazida.
O estanho tem dez isótopos estáveis, mais do que qualquer outro elemento da tabela periódica. As proporções entre eles variam pouco, mas o bastante para separar minas quando medidas num espectrômetro de massa (aparelho que separa os átomos pelo peso).
Em 2022, Wayne Powell, do Brooklyn College, Michael Frachetti, da Universidade Washington em St. Louis, e Cemal Pulak publicaram em Science Advances a análise dos lingotes de estanho de Uluburun.
A equipe cruzou três medidas: isótopos de chumbo, isótopos de estanho e elementos-traço (impurezas em quantidade mínima, que funcionam como sotaque da rocha). Depois comparou as amostras com minérios do Irã, do Afeganistão, da Ásia Central, da Europa e da Anatólia.
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Um terço do estanho do naufrágio bateu com a mina de Mušiston, no Tajiquistão.
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Os outros dois terços combinaram com Kestel, nos montes Taurus, dentro da própria Anatólia. Mušiston fica no vale do Zeravshan, a mais de 3 mil quilômetros em linha reta do cabo onde o navio afundou.
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