A resposta de ontem Qual general árabe entrou em Garama no século VII? Foi Uqba ibn Nafi, o comandante árabe que nos anos 660 avançou pelo Fezzan e submeteu Jarma, o nome árabe de Garama. O episódio está na Futuh Misr (A conquista do Egito), crônica do historiador Ibn Abd al-Hakam, do século IX. Depois dele, o vale entrou na rota das caravanas islâmicas do Saara. |
O relato de Necho II ocupa poucas linhas, no capítulo 42 do livro IV das Histórias. Heródoto o usa como prova de um argumento geográfico: a Líbia, nome grego para a África inteira, é cercada de água por todos os lados, menos no trecho que a liga à Ásia.
A ordem do faraó
Segundo o texto, Necho II mandou os fenícios embarcarem com uma instrução simples: voltar ao Egito passando pelas Colunas de Héracles. Sair pelo leste, contornar o continente e entrar de volta pelo Mediterrâneo.
Os barcos partiram do mar Eritreu (o nome grego para o mar Vermelho e as águas do Índico ao sul dele) e seguiram pelo que Heródoto chama de mar do Sul.
A direção importa. Ao descer pela costa leste e subir pela oeste, a frota rodava o continente no sentido horário, com a terra sempre do lado direito do casco.
A pausa para a colheita
O detalhe mais concreto do relato nada tem de astronômico. A cada outono, conta Heródoto, os marinheiros desembarcavam onde estivessem, semeavam a terra e esperavam a colheita.
Com o grão colhido, voltavam ao mar. A viagem andava no ritmo de uma lavoura por ano, e três lavouras dão conta dos três anos do relato.
O método resolve a demora. Uma frota sem porto amigo por milhares de quilômetros não tinha onde comprar comida, e um barco a remo e vela não carrega provisão para três anos.
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Os fenícios contornaram a África no ritmo da lavoura: um plantio por ano, em terra estranha.
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A frase que o grego recusou
Então vem o trecho famoso. Heródoto escreve, nas Histórias, por volta de 430 antes de Cristo, que os marinheiros “contaram, e eu não acredito, mas outro talvez acredite, que ao navegar em volta da Líbia tiveram o sol à direita”.
Para um grego, a lógica era firme. No Mediterrâneo, o sol do meio-dia fica sempre ao sul. Quem navega para oeste o tem à esquerda, sem exceção, a vida inteira.
Heródoto não trabalhava com a ideia de uma Terra esférica, nem sabia que a África cruza o equador e desce até perto dos 35 graus de latitude sul. Para ele, o sol à direita soava como lorota de marinheiro.
O segundo navegador
Logo depois, no capítulo 43, Heródoto conta o contraexemplo. Sataspes, um nobre persa condenado pelo rei Xerxes, recebeu a chance de escapar da pena se desse a volta na África.
Sataspes saiu pelas Colunas de Héracles, navegou para o sul por meses e desistiu. Disse ao rei que o barco tinha parado e não avançava mais. Xerxes recusou a desculpa e mandou cumprir a pena antiga, o empalamento.
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