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Nastasen governou Kush entre cerca de 335 e 315 antes de Cristo, no período que os historiadores chamam de napatano, por causa de Napata, a cidade sagrada aos pés do monte Jebel Barkal. É o rei mais bem documentado da fase final de Napata, graças a uma única pedra.
A pedra de Dongola
Em 1853, uma estela (laje de pedra com inscrição) foi achada em Dongola, no norte do Sudão, e levada para Berlim, onde está até hoje no Museu Egípcio. O texto, em hieróglifos egípcios, narra a coroação de Nastasen e as campanhas militares dele.
A estela conta que Nastasen viajou de Meroé, mais ao sul, até Napata para ser coroado no templo de Amon, o deus de Tebas adotado pelos reis núbios. Depois lista guerras contra povos vizinhos e o gado e o ouro tomados como espólio.
Um dos inimigos citados na pedra se chama Kambasuden. Alguns egiptólogos leem o nome como Khabbash, um rebelde que tentou tomar o Egito dos persas por volta de 338 antes de Cristo, mas a leitura segue em debate.
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O rei mais documentado do fim de Napata deixou o texto em Berlim e o corpo debaixo d'água.
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O cemitério de Taharqa
Nuri começou como cemitério com Taharqa, o faraó núbio que governou o Egito e Kush entre 690 e 664 antes de Cristo. A pirâmide dele é a maior do lugar, e os reis seguintes foram erguendo as suas em volta.
As pirâmides núbias são menores e mais íngremes que as de Gizé. Os reis de Kush copiaram a forma dos faraós egípcios séculos depois de o Egito ter abandonado esse tipo de túmulo.
Nastasen foi um dos últimos reis enterrados em Nuri. Poucas gerações depois dele, os reis de Kush passaram a ser sepultados perto de Meroé, mais ao sul, onde o reino durou até o século 4 depois de Cristo.
A expedição de Reisner
Entre 1916 e 1918, o egiptólogo americano George Andrew Reisner escavou Nuri pela expedição conjunta da Universidade Harvard e do Museu de Belas Artes de Boston. Numerou as pirâmides, desceu às câmaras que pôde e levou para os Estados Unidos uma parte do que encontrou.
No túmulo de Nastasen, um homem da equipe de Reisner entrou até a terceira câmara, recolheu shawabtis e saiu. A água já tomava as câmaras, e o registro da expedição anotou o túmulo como inundado, sem o mapa completo do interior.
Reisner morreu em 1942, em Gizé, sem voltar ao túmulo. Por quase um século, as câmaras de Nastasen ficaram como ele as deixou: anotadas no caderno e fechadas pela água.
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