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Eduardo V da Inglaterra tinha doze anos quando o pai, o rei Eduardo IV, foi sepultado em abril de 1483. O irmão, Ricardo de Shrewsbury, duque de York, tinha nove. O tio, Ricardo, duque de Gloucester, assumiu como Lorde Protetor (o regente que governa enquanto o rei é menor de idade).
Da coroação adiada ao trono do tio
Em maio, Eduardo chegou a Londres e foi alojado na Torre, na época residência real e não só prisão, à espera da coroação. A mãe, a rainha Elizabeth Woodville, tinha se refugiado com o caçula no santuário da Abadia de Westminster.
Em junho, no dia 16, o caçula foi entregue ao tio e levado para junto do irmão. Seis dias depois, o pregador Ralph Shaa declarou em sermão público os dois meninos ilegítimos, alegando um compromisso de casamento anterior do pai com Eleanor Butler.
Em 6 de julho, Gloucester foi coroado Ricardo III. O Parlamento confirmou a tese em 1484 com o Titulus Regius (Título Real, a lei que tirou dos sobrinhos o direito ao trono).
O que o italiano viu
O registro mais próximo dos fatos vem de Dominic Mancini, clérigo italiano que estava em Londres naquele ano e deixou a cidade antes da coroação. Ele fechou o relato no fim de 1483, poucos meses depois.
Em De Occupatione Regni Anglie (A ocupação do reino da Inglaterra), de 1483, Mancini escreveu: “Ele e o irmão foram recolhidos aos aposentos internos da Torre, e dia após dia começaram a ser vistos mais raramente atrás das grades e janelas, até deixarem de aparecer.”
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Depois do verão de 1483, nenhum documento da época registra os dois meninos vivos.
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Mancini cita também o médico John Argentine, o último de fora a atender o rei menino: segundo ele, Eduardo se confessava e fazia penitência todos os dias, como quem espera o fim. O manuscrito ficou esquecido até 1934, quando o historiador C. A. J. Armstrong o encontrou na biblioteca municipal de Lille, na França.
A caixa sob a escada
Quase dois séculos depois, em 1674, operários demoliam uma escada junto à Torre Branca, o prédio central da fortaleza. A uns três metros de profundidade, acharam uma caixa de madeira com dois esqueletos pequenos.
O lugar batia com o relato de Thomas More, escrito na década de 1510, que punha os corpos “ao pé da escada, bem fundo na terra, sob um grande monte de pedras”.
O rei Carlos II mandou guardar os ossos numa urna desenhada pelo arquiteto Christopher Wren. Desde 1678, ela fica na capela de Henrique VII, em Westminster, com a inscrição que chama Ricardo III de tio pérfido e usurpador do reino.
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