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A pergunta deixou de ser quem eram aquelas pessoas em bloco. Passou a ser quantos grupos diferentes o mesmo lago recebeu, e por que cada um deles subiu até lá.
Em 2019, um estudo publicado na revista Nature Communications recuperou DNA de trinta e oito indivíduos de Roopkund, coordenado por Éadaoin Harney, com Niraj Rai, Kumarasamy Thangaraj e David Reich entre os autores.
O resultado quebrou o conjunto em três. Vinte e três pessoas tinham ancestralidade do sul da Ásia, e nem entre elas havia uniformidade: os perfis variavam como variam populações de regiões diferentes do subcontinente.
Catorze pessoas tinham ancestralidade do Mediterrâneo oriental, mais próxima das populações atuais de Creta e da Grécia continental, sem a mistura que apareceria em quem tivesse gerações de convivência na Índia.
Uma única pessoa tinha ancestralidade do leste ou do sudeste asiático, isolada nos dois conjuntos maiores.
A datação amarrou o golpe no argumento antigo.
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Os esqueletos de Roopkund pertencem a três grupos geneticamente distintos, depositados em múltiplos eventos separados por cerca de mil anos.
Éadaoin Harney e colegas, Nature Communications, 2019
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O grupo do sul da Ásia ficou entre os séculos VII e X, compatível com a datação de 2004. O grupo do Mediterrâneo oriental e a pessoa de ancestralidade asiática caíram entre os séculos XVII e XX.
A química do osso reforçou a separação. A análise de isótopos indicou dieta sem milheto no grupo mediterrâneo, cereal comum no sul da Ásia, o que aponta para gente criada longe dali.
Uma tempestade de granizo, por mais brutal, não explica um depósito montado em pelo menos dois momentos com mil anos de intervalo. A catástrofe única saiu de cena como explicação geral do sítio.
Sobraram duas perguntas, e as duas ficaram maiores. A primeira é o que levou centenas de pessoas do sul da Ásia, de origens variadas, a um ponto sem povoado, em número que sugere movimento coletivo.
A peregrinação continua sendo a resposta mais econômica para a leva antiga, e mesmo ela segue sem prova. Não existe documento do século IX descrevendo o trajeto, e a canção do rei Jasdhaval é tradição oral, sem data segura e sem versão fixa.
A segunda pergunta é mais dura. Um grupo de mais de dez pessoas com ascendência do Mediterrâneo oriental chegou a 5.029 metros no Himalaia indiano num período de história documentada, com arquivo colonial, registro de porto e imprensa em circulação.
Nenhum desses arquivos guarda o episódio. Não há relato conhecido de um grupo vindo do Mediterrâneo perdido no alto Garhwal, e a lacuna pesa justamente porque o período era anotado.
As leituras possíveis para a leva recente são poucas e frágeis: viajantes em travessia, gente ligada a alguma expedição de campo, ou uma comunidade de origem mediterrânea vivendo na Índia sem se misturar à população local. A genética torce contra a terceira, porque quem vive gerações num lugar carrega a mistura no genoma.
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