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O primeiro registro escrito das estátuas de San Agustín é de frei Juan de Santa Gertrudis, franciscano nascido em Maiorca. Ele passou pela região em 1757 e descreveu as figuras no livro Maravillas de la naturaleza (Maravilhas da natureza), que ficou em manuscrito e só foi impresso no século XX.
O frade achou que as estátuas eram obra do diabo ou de gente muito antiga, e anotou que os moradores escavavam os montículos atrás de ouro. A caça ao tesouro já tinha começado antes de qualquer estudo.
Em 1797, o naturalista colombiano Francisco José de Caldas visitou o lugar e desenhou algumas peças. Durante o século XIX, viajantes passaram, mediram e levaram fragmentos, sem cavar de forma sistemática.
O alemão que cavou primeiro
A primeira escavação com método veio com o etnólogo alemão Konrad Theodor Preuss, do Museu de Etnologia de Berlim. Ele trabalhou em San Agustín entre 1913 e 1914, abriu montículos, fotografou dezenas de estátuas e publicou o estudo em 1929.
Preuss também embarcou peças para a Alemanha. Parte das estátuas que ele levou continua em Berlim, e a Colômbia pede o retorno delas.
As escavações colombianas vieram depois. O arqueólogo Luis Duque Gómez, a partir dos anos 1940, e o antropólogo Gerardo Reichel-Dolmatoff, com o livro San Agustín: A Culture of Colombia (San Agustín: uma cultura da Colômbia), de 1972, montaram o retrato que se usa até agora.
O que as covas mostram
Dentro dos montículos, os arqueólogos acharam câmaras de lajes de pedra, algumas com sarcófagos escavados num só bloco. A estátua fica na frente ou dentro da câmara, virada para quem chega.
Os ossos quase não sobreviveram. O solo ácido e a chuva constante da região dissolveram a maior parte dos esqueletos, e muitas tumbas chegaram vazias aos arqueólogos, esvaziadas pelos caçadores de ouro.
Algumas estátuas guardam restos de pintura vermelha, amarela e preta, segundo os registros do ICANH na Mesita B, uma das áreas do parque. As figuras que hoje são cinzentas já foram coloridas.
A estátua não era enfeite. Era parte da tumba. |
Numa encosta do parque, a Fuente de Lavapatas (Fonte do Lava-Pés) completa o quadro: o leito de pedra de um riacho foi esculpido com canais, piscinas, lagartos e cobras. A água corria pelos desenhos, e o uso ritual é a leitura mais aceita.
Com tumbas, estátuas e um riacho entalhado, o registro mostra um povo que gastou gerações em pedra e em morte. Falta saber quem mandava nesse trabalho, e para quê.
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