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A briga começa com o que cada equipe amostrou. Fletcher, Cameron e Lepper coletaram fragmentos de carvão dentro do corpo do aterro em sondagens de 1991 e 1992, com o resultado publicado em 1996, e as idades calibradas caíram em torno do século XI, o que colocou a construção nas mãos dos Fort Ancient.
A leitura de 1996 fechava bem com o contexto arqueológico do platô. Havia ocupação Fort Ancient documentada no mesmo platô e havia, no mundo do século XI, um repertório de imagens de serpente e de mundo inferior reconhecível nas culturas do vale do Mississippi, o que dava contexto cultural para a figura.
A leitura de 2014 desmonta esse encaixe. A equipe de Romain e Edward Herrmann reabriu trincheiras e retirou carvão de camadas descritas como o corpo original do aterro, sob material que interpretaram como reparo posterior, e as idades calibradas apontaram para o quarto e o terceiro séculos antes da era comum.
Cada lado tem uma explicação para o carvão do outro. Para quem defende 300 a.C., o carvão do século XI vem de terra remexida em manutenções ou restaurações tardias, incluindo a própria intervenção do século XIX. Para quem defende 1070 d.C., o carvão antigo é material do solo anterior à obra, queimado séculos antes e incorporado à terra usada na construção.
O problema de fundo é o que o carvão data. Um fragmento datado dá a idade da madeira queimada, não a idade da mão que empilhou a terra em volta, e num aterro baixo, escavado e reconstruído várias vezes desde 1887, ligar uma amostra a um evento construtivo depende inteiramente da leitura estratigráfica de quem estava na trincheira.
O sítio piorou essa leitura por conta própria. Putnam recompôs o perfil da figura depois de escavar, houve trabalhos de restauração e drenagem no século XX, e cada uma dessas obras moveu terra do próprio monumento de um lugar para outro, misturando material de épocas diferentes no mesmo volume.
A falta de sepultamento também entra na conta. Um montículo Adena típico guarda sepultamentos e enxoval, e a serpente não guarda nada, o que serve de argumento tanto para quem diz que ela não é Adena quanto para quem diz que ela é Adena e simplesmente nunca foi feita para conter alguém.
E as duas datas nem precisam se excluir. Existe uma terceira leitura, defendida por parte dos pesquisadores do vale do Ohio, em que um traçado antigo foi reformado e ampliado mil anos depois, e nesse caso as duas séries de carvão estariam certas, cada uma medindo um episódio distinto da mesma figura.
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