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As escavações no Huangchengtai, a partir de 2016, mostraram o tamanho do poder concentrado ali. O morro foi cortado e revestido em pelo menos 11 degraus de pedra, segundo o estudo de 2018 na Antiquity, e o topo plano recebeu fundações de grandes salões e um reservatório de água.
Entre as pedras do revestimento, a equipe achou dezenas de blocos gravados com rostos humanos, figuras de animais e seres que misturam os dois. Alguns estavam virados para fora, à vista de quem subia a pirâmide, e outros tinham sido reaproveitados no meio da obra.
O topo guardava também restos de oficinas. Os arqueólogos recolheram milhares de agulhas de osso e pequenos berimbaus de boca feitos de osso, instrumentos que vibram presos aos lábios, sinal de artesãos especializados vivendo junto a quem governava.
Uma pirâmide de degraus, com rostos de pedra voltados para a escada. |
As três leituras
Desde as primeiras escavações, três respostas foram propostas para quem mandava em Shimao:
• Um Estado próprio do planalto, um centro de poder que não dependia da planície central, como defendem Li Jaang e Sun Zhouyong no artigo de 2018, cujo título fala em periferias que eram centros.
• A capital do Imperador Amarelo, o soberano lendário que a tradição chinesa põe na origem da civilização, hipótese levantada pelo historiador Shen Changyun, da Academia de Ciências Sociais de Hebei.
• Uma aliança de chefias do norte, ligada às culturas do deserto e das estepes, que usou o jade e a pedra para impressionar vizinhos e rivais.
A segunda leitura tem apelo popular e pouco apoio técnico. O Imperador Amarelo aparece em textos escritos dois mil anos depois do abandono de Shimao, e nenhum objeto do sítio traz nome, título ou símbolo que o ligue a ele.
A primeira leitura ganhou força porque muda o mapa da história chinesa. Os livros escolares contavam a civilização nascendo no vale médio do rio Amarelo e se espalhando para fora. Shimao mostra uma cidade monumental no norte seco, séculos antes da primeira capital da planície.
A terceira leitura explica bem a pedra e o jade, mas não tem ainda um rival nomeado. Nenhum sítio vizinho do mesmo porte foi escavado a ponto de mostrar com quem Shimao disputava a região.
Essa capital é Erlitou, na província de Henan, que muitos arqueólogos ligam à dinastia Xia. Ela cresce justamente por volta de 1800 a.C., a época em que Shimao deixa de ser ocupada.
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