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A busca por uma testemunha europeia continua, e a candidata mais forte é uma crônica da cidade de Bolonha, na Itália.
A crônica Rampona
A Ystoria Rampona, compilação de notícias da cidade copiada no século XV, traz no ano de 1058 uma frase sobre uma estrela de brilho intenso que entrou no círculo da Lua nova. Em 1999, os astrônomos George Collins, William Claspy e John Martin defenderam, na revista Publications of the Astronomical Society of the Pacific, que a frase descreve a supernova de 1054 com o ano trocado pelo copista.
O mesmo artigo propôs que a explosão começou antes de julho, entre abril e maio, quando a estrela ainda aparecia no céu do anoitecer europeu. A hipótese casaria a frase italiana com o relato de Ibn Butlan, que não diz o mês exato.
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Para aceitar a crônica Rampona, é preciso supor que o copista errou o ano e que os chineses viram a estrela semanas depois de ela surgir.
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Stephenson e Green rejeitaram a leitura no catálogo de 2002. Para eles, a frase descreve uma conjunção (o encontro aparente de um planeta com a Lua), fenômeno comum nas crônicas, e o ano 1058 não tem motivo para estar errado.
A pintura no penhasco
Fora da Europa, outra candidata está pintada numa rocha. Em Peñasco Blanco, no Cânion do Chaco, no atual Novo México, o povo ancestral pueblo deixou uma mão, uma lua crescente e uma estrela. Em 1955, o fotógrafo William C. Miller, do Observatório Palomar, propôs que duas pinturas parecidas, no norte do Arizona, mostram a supernova junto da Lua; a de Chaco entrou na lista uns 20 anos depois.
Os cálculos de Miller mostram que, na madrugada de 5 de julho de 1054, a Lua minguante passou perto da estrela nova. Nenhuma datação, porém, prova que a pintura é daquele século.
O que decidiria o caso
Duas descobertas encerrariam a discussão:
• Um anal latino datado de 1054, em cópia antiga e confiável, que descreva uma luz nova em Touro ou perto do Sol nascente no verão.
• Um registro de tempo europeu de julho de 1054 que mostre semanas de céu fechado nas regiões dos grandes mosteiros.
Nenhuma das duas apareceu. Milhares de manuscritos medievais seguem sem leitura completa em arquivos de mosteiros e catedrais, e a linha ausente pode estar em qualquer um deles.
O que se sabe é firme: a China contou 23 dias de luz diurna, um médico de Bagdá e um diário japonês confirmam a aparição, e a Nebulosa do Caranguejo marca o ponto exato. No centro dela gira um pulsar (estrela de nêutrons que emite pulsos de rádio), achado em 1968 por David Staelin e Edward Reifenstein no Observatório de Green Bank; a equipe da Universidade Cornell mediu em Arecibo, em 1968, cerca de 30 voltas por segundo.
A Europa viu a estrela e a anotação se perdeu ou ficou com o ano trocado, como sustentam Collins, Claspy e Martin com a crônica Rampona; ou a Europa não a viu, por nuvem, por horário ou por desatenção, como leem Stephenson e Green. As duas leituras usam as pistas acima, e o peso das duas fica com você.
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