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100% escolheram O montículo da serpente. Sai em 10/09.
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A cidade que estava sete quilômetros mar adentro
Localizada em 2000 na baía de Aboukir sob menos de 6 metros de água, com cerca de 70 embarcações afundadas no fundo e só 5% do sítio escavado
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O porto do Nilo sob seis metros de água
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FICHA DO ARQUIVO
Relato: Heródoto registrou no livro II das Histórias, no século V a.C., um porto e um templo na boca canópica do Nilo, e nenhum levantamento moderno tinha localizado a cidade até 2000.
Registro: a equipe de Franck Goddio, do Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática, mapeou o sítio a 7 quilômetros da costa atual de Aboukir, sob menos de 6 metros de água, e em 2001 recuperou a estela de Nectanebo I, de 380 a.C., que nomeia a cidade como Thonis.
Anomalia: cerca de 70 embarcações afundadas cobrem a área do porto, o solo argiloso cedeu por liquefação por volta de 100 a.C., e cerca de 5% do sítio foi escavado.
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Heródoto escreveu no livro II das Histórias, no século V a.C., que existia um porto com templo na boca canópica do Nilo, e que Helena e Páris pararam ali antes da guerra de Troia. Nenhum levantamento moderno localizou essa cidade até o ano 2000, quando a equipe de Franck Goddio, do Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática, a encontrou a 7 quilômetros da costa atual de Aboukir, sob menos de 6 metros de água.
Os dois fatos descrevem o mesmo lugar. O texto grego fala de um porto de entrada com alfândega e santuário; o sonar de varredura lateral e o magnetômetro de ressonância nuclear passados pela baía devolveram cais, canais, blocos de granito e cascos de barco espalhados por vários quilômetros quadrados de fundo raso.
O nome saiu gravado na pedra. Em 2001, a mesma equipe recuperou uma estela de granito quase intacta, cópia do decreto de Nectanebo I de 380 a.C., cuja inscrição manda instalá-la na cidade chamada Thonis pelos egípcios, o mesmo lugar que os gregos registravam como Heracleion.
A profundidade contraria a intuição. O sítio não está num abismo, fica sob cinco a seis metros de água, e o que o manteve invisível por séculos não foi a distância vertical, foi a camada de sedimento do delta cobrindo tudo e a visibilidade quase nula da baía.
O fundo guarda uma frota. As campanhas do instituto contabilizaram cerca de 70 embarcações afundadas na área portuária, entre elas o casco batizado de Barco 17, construído com pranchas encaixadas por espigas, a técnica que Heródoto descreveu no mesmo livro II ao falar da baris egípcia.
A cidade também não afundou de uma vez só. As análises de sedimento publicadas pela equipe de Goddio descrevem argila saturada e instável, sobrecarregada por construções pesadas de pedra, que perdeu resistência e cedeu por liquefação por volta de 100 a.C.
E quase tudo continua enterrado. Depois de mais de vinte anos de campanhas, o próprio instituto estima que cerca de 5% do sítio foi escavado.
O registro do dia começa pelo que o sonar mapeou e pelo que a estela de granito afirma, antes da parte que o sedimento ainda segura.
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I O Registro
I, Sete quilômetros de água sobre um porto de pedra
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A busca não começou pela cidade. Goddio e o Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática trabalhavam desde 1996 no mapeamento sistemático da baía de Aboukir, a leste de Alexandria, atrás do porto submerso de Canopo e dos vestígios da frota francesa afundada em 1798, e o levantamento cobriu quadrado por quadrado uma área de dezenas de quilômetros quadrados.
O método foi geofísico antes de ser arqueológico. Sonar de varredura lateral para o relevo do fundo, perfilador sub-bottom para as camadas abaixo do lodo e magnetômetro de ressonância magnética nuclear para localizar anomalias enterradas, com posicionamento por satélite diferencial: só depois de a anomalia aparecer no gráfico é que um mergulhador descia para abrir uma sondagem no sedimento.
O achado de 2000 mudou a escala do trabalho. As anomalias desenharam um traçado urbano com bacia portuária, canais navegáveis, muros de cais e plataformas, e as sondagens devolveram blocos de calcário e granito, âncoras de pedra e cerâmica, tudo sob uma capa de argila e areia num fundo de cinco a seis metros.
A estela fechou a identificação em 2001. O bloco de granito preto, com quase dois metros, repete o decreto de Nectanebo I sobre a taxação de bens gregos, e a linha final ordena que a cópia seja erguida em Thonis, na boca do mar, o que amarrou o nome egípcio ao sítio e ao nome grego que a literatura antiga usava.
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Na costa há uma boca do Nilo chamada Canópica, e nela um templo de Héracles, onde qualquer servo de qualquer homem que ali se refugie e receba as marcas sagradas não pode mais ser tocado.
Heródoto, Histórias, Livro II, século V a.C.
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O inventário recuperado descreve uma cidade de porte. Estátuas colossais de mais de cinco metros em granito rosa, entre elas uma representação do deus Hapi e um par real ptolomaico, o santuário de Amon-Gereb, centenas de âncoras, moedas de ouro e chumbo, pesos de bronze da alfândega e mais de setecentos objetos de culto depositados em água.
O Naos das Décadas veio em pedaços separados por dois séculos. A parte superior desse santuário monolítico de granito, com o calendário astronômico dividido em trinta e seis décadas, chegou ao Louvre no século XIX, e a base foi encontrada por Goddio no fundo da baía em 1999 e 2001, o que permitiu remontar o conjunto pela primeira vez.
A função da cidade estava no traçado. Antes da fundação de Alexandria em 331 a.C., a boca canópica era a porta de entrada obrigatória para navios estrangeiros no Egito, e Thonis-Heracleion concentrava a cobrança de impostos, a inspeção de carga e o culto que legitimava a passagem.
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