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O SÍTIO
O morro de Tillya Tepe, perto de Sheberghan, no norte do Afeganistão, onde seis sepulturas foram abertas em 1978 e 1979.
Foto: World Imaging, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
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As sepulturas de Tillya Tepe entraram no registro arqueológico em novembro de 1978, quando a equipe de Viktor Sarianidi achou a primeira ao abrir uma vala no alto do morro. Em três meses vieram mais cinco, numeradas de 1 a 6 na ordem em que apareceram.
A ordem das covas
Cinco covas guardavam mulheres, segundo o relatório de Sarianidi. Uma só guardava um homem, a de número 4, no meio do grupo.
As mulheres usavam diadema, brincos, colares, tornozeleiras e roupa coberta de placas de ouro. Na cova 6, a mais rica, estava a coroa de folhas desmontável, feita de cinco árvores de ouro presas numa faixa.
Na cova 2 saíram os pingentes do chamado Senhor dos Dragões, uma figura coroada que segura pelo pescoço dois animais com corpo de dragão. O estilo vem da arte da estepe, a dos povos nômades da Ásia Central.
Na cova 6 saíram também as presilhas da Afrodite de asas. Ela é grega no corpo e no penteado, e traz entre as sobrancelhas o bindi (o ponto na testa usado na Índia).
O homem da cova 4
O homem foi enterrado com armas: um punhal com bainha de ouro, um arco e um cinturão de medalhões. A cabeça repousava sobre um prato de ouro, e em volta havia peças vindas de lugares distantes entre si.
Uma delas é um medalhão indiano de ouro. Num lado, um homem empurra uma roda, e a inscrição em kharoshthi (um alfabeto do noroeste da Índia antiga) diz “aquele que põe em movimento a roda da lei”. No verso, um leão aparece com a frase “o leão que afastou o medo”.
Os estudiosos leem a cena como uma das imagens budistas mais antigas conhecidas, porque a roda da lei é o símbolo do ensino do Buda.
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A única data firme veio de Roma, numa moeda de ouro com a cara de Tibério.
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Na cova 3 apareceu uma moeda de ouro de Tibério, imperador de Roma entre os anos 14 e 37 depois de Cristo. Ela mostra que aquele enterro aconteceu depois do começo do reinado dele. As outras covas ganharam data por estilo e comparação, e ficam entre o século I antes de Cristo e o século I depois de Cristo.
O cofre do banco
Depois da invasão soviética, as peças ficaram no Museu Nacional do Afeganistão, em Cabul. Em 1989, com a guerra civil chegando à capital, funcionários do museu levaram o ouro para um cofre do Banco Central embaixo do palácio presidencial.
Os guardiões das chaves não contaram a ninguém onde estava o tesouro, nem ao Talibã, que governou Cabul de 1996 a 2001. Por anos correu o boato de que o ouro tinha sido derretido ou vendido.
Em 2003, o governo afegão anunciou o cofre intacto. Em 2004, o arqueólogo Fredrik Hiebert, da National Geographic, fez o inventário com a equipe afegã e conferiu peça por peça com as fichas de Sarianidi.
O ouro voltou inteiro, com as listas, as fotos e os desenhos da escavação. O nome de quem usou aquele ouro nunca esteve em nenhuma ficha.
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