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Entre 2009 e 2014, John Chapman e Mykhailo Videiko escavaram Nebelivka, na região de Kirovohrad, com uma equipe britânica e ucraniana. Acharam o maior edifício conhecido da cultura: uma construção de cerca de 1.200 metros quadrados, aberta para a praça, que a equipe leu como lugar de assembleia.
Nebelivka também mostrou que as casas se agrupavam em bairros, cada um com uma casa maior que os pesquisadores chamaram de casa de reunião do bairro.
O prédio reforça a imagem de uma cidade decidida em reunião, sem rei. Ele também terminou queimado, como as casas em volta.
Quantos moravam ao mesmo tempo
A primeira lacuna é a população. Se as casas de Maidanetske ficaram de pé juntas, a cidade estava entre as mais populosas do planeta naquele milênio. Se cada bairro foi erguido, queimado e refeito em fases, com parte das casas em uso por vez, a conta despenca.
A equipe de Nebelivka propôs outra leitura: o mega-sítio seria um lugar de reunião sazonal, com famílias que vinham de aldeias vizinhas em certas épocas do ano e não moravam lá o tempo todo. A equipe de Kiel lê Maidanetske como cidade habitada o ano inteiro. Para Kiel, os fornos, as pedras de moer e o lixo doméstico em quase todas as casas mostram gente vivendo ali, e não só de passagem.
O radiocarbono ainda não separa as duas hipóteses. As datas cobrem séculos, mas a margem de erro de cada amostra, de décadas, não diz se duas casas vizinhas queimaram no mesmo ano ou com quarenta anos de distância.
O fogo que conservou as casas embaralha o relógio que as dataria. |
A segunda lacuna é o abandono. Por volta de 3600 a.C., os mega-sítios se esvaziaram e não voltaram a ser erguidos. Os candidatos são o esgotamento do solo em volta, a divisão das comunidades e a chegada de grupos das estepes; nenhum tem prova que descarte os outros.
Depois dos mega-sítios, a cultura Trypillia seguiu por alguns séculos em aldeias menores, até sumir do registro por volta de 3000 a.C.
Falta, por último, o gesto registrado: uma camada que mostre quem acendeu. Lenha empilhada, objetos arrumados e ausência de corpos apontam para mãos humanas e para calma, mas cinza não guarda intenção.
Rito de encerramento, com a família apagando a própria casa para abrir outra, ou limpeza prática, contra pragas e madeira podre, numa cidade que vivia se refazendo. As pistas das duas leituras estão nas plataformas de barro, e escolher entre elas depende de achar que o fogo tinha sentido ou só função.
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