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A pergunta nunca foi se o homem da câmara principal era da casa real. Foi qual dos dois ele é.
O primeiro é Filipe II, pai de Alexandre, que caiu no teatro de Aigai em 336 antes da era comum, com pouco mais de quarenta anos, no casamento da própria filha.
O segundo é Filipe III Arrideu, meio-irmão de Alexandre e rei nominal depois de 323. Foi executado em 317 por ordem de Olímpia e sepultado com honra real em Aigai por volta de 316, por Cassandro.
Vinte anos separam os dois enterros. É pouco para o radiocarbono resolver e muito para o estilo dos objetos ignorar.
O primeiro eixo é a arquitetura. Olga Palagia e outros sustentam que a abóbada de berço só aparece na Macedônia depois das campanhas de Alexandre no oriente, o que empurraria o túmulo para depois de 320.
A réplica é que a abóbada ficou sob aterro, sem função decorativa, e que a data de entrada da técnica é ela própria disputada.
O segundo eixo é a louça. Um conjunto de saleiros áticos da câmara foi lido como produção do último quarto do século IV, e não dos anos 330.
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O conjunto depositado no Túmulo II encaixa melhor num sepultamento do fim do século IV do que na data em que Filipe II foi enterrado.
Eugene N. Borza, Phoenix, 1987
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O terceiro eixo está na antecâmara. Para quem defende Arrideu, o coldre cita e as armas são de Adeia Eurídice, mulher dele, criada como guerreira pela mãe, Cínane, de linhagem ilíria.
Para quem defende Filipe II, o coldre é despojo da campanha contra o rei cita Ateas, em 339, e a mulher da antecâmara seria Meda de Odessos, esposa trácia dele.
O quarto eixo é a órbita direita. Em 1984, John Musgrave, Richard Neave e John Prag remontaram o crânio cremado e leram uma lesão sobre o olho direito, compatível com a flechada que Filipe II levou em Metone, em 354.
Em 2000, Antonis Bartsiokas publicou na Science que a marca é dano de escavação e de fogo, não ferimento cicatrizado em vida.
O quinto eixo é a cremação. Osso queimado com tecido mole ainda no corpo racha de um jeito, osso já seco se comporta de outro.
Bartsiokas leu cremação a seco no Túmulo II, compatível com um corpo guardado por meses antes do funeral, como o de Arrideu. Teodoro Antikas e Laura Wynn-Antikas leram o padrão oposto no mesmo conjunto.
O sexto eixo veio do túmulo vizinho. Em 2015, um estudo no PNAS colocou Filipe II no Túmulo I, a partir de uma anquilose de joelho num esqueleto masculino, compatível com a lançada que ele levou na perna em 339.
Uma datação por radiocarbono publicada em 2025 devolveu para esse homem um intervalo que termina antes de 356, e o retira da lista.
Cada rodada de exame mexe o pêndulo e nenhuma o encosta. O enxoval serve nos dois reis, e o nome não sai de dentro do sítio.
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